Domingo Set 14, 2008

Sobre vinho, virtualização e xVM

Lembro-me de estar sentado com um grupo de clientes há alguns anos falando sobre vinho e virtualização (um casamento natural, se é que existe um). Vinho, porque estávamos num evento organizado pela Sun em Napa Valley, o coração da área vinícola da Califórnia - virtualização, porque os participantes eram profissionais da área de datacenter que estavam ali para falar sobre o futuro.

Todos os clientes participantes gerenciavam datacenters de altíssima escala e valor, e certamente admitiriam "abraçar" seus servidores perguntando-se "o que será de você?" Eram pessoas que gerenciavam alguns dos sistemas mais valiosos do mundo com uma confiabilidade excepcional.

Mas todos começavam a observar e se preocupar com a mesma coisa, rodar aplicativos em grades "virtualizadas" de infra-estrutura em rede (o "cloud computing" (nuvem computacional) ainda não estava na moda, ou certamente alguém teria usado o termo).

A virtualização é um conceito simples com um nome pomposo (abreviada como "v12n" pelos especialistas - seguindo o mesmo método, eu sou "j14z"). Trata-se simplesmente de fatiar os computadores físicos em computadores menores "virtuais", cada um provido de seu próprio sistema operacional e aplicativos.

Ou seja, um computador virtualizado não apenas assume a tarefa de rodar múltiplos sistemas operacionais (rodando sobre um hypervisor, como descrito abaixo), mas também os próprios sistemas operacionais podem ser alterados com o tempo, em resposta ao tipo de carga ou planejamento. A visão tradicional do tipo "computador A roda o sistema operacional/aplicativo B" pode dar lugar a uma visão mais responsiva do tipo "esses computadores estão disponíveis para tarefas de alta prioridade", independentemente do sistema operacional ou arquitetura. Uma alta nas compras online pode realocar mais máquinas "virtuais" para o processamento de transações durante os horários de pico, alternando para uma pilha diferente de sistema operacional/aplicativo quando o frenesi cessa. A capacidade deixa de ser fixa para ser intercambiável.

Embora a virtualização de computadores desktop não seja o foco desses clientes, a maioria vive num mundo com múltiplos sistemas operacionais de desktop - isso não significa que todos eles (assim como eu) rodem cinco sistemas operacionais de desktop, a maioria não faz isso - mas sim que possuem diversas gerações de Windows, ou não possuem mais o código-fonte de aplicativos antigos, uma condição que indica a presença de sistemas operacionais (e hardware) antigos. A virtualização de computadores permite que os usuários rodem múltiplos sistemas operacionais lado a lado num único computador, e causa a separação entre atualização de software e de hardware (uma inovação que mantém CIOs e desenvolvedores sorrindo).

Mas voltando ao datacenter, a virtualização pode permitir uma extrema consolidação de infra-estrutura - a separação entre aplicativos e hardware gera planejamento de capacidade e aquisições de sistemas mais eficientes. E, da mesma forma que tudo isso era muito entusiasmante para todos, se as coisas dessem errado, você também poderia afundar o trimestre, queimar as reservas e pôr um fim à sua carreira. Portanto, por que tanta ansiedade?

Tentando resumir, a preocupação desses clientes era de que a virtualização dissolveria o controle que haviam construído com tanto cuidado para gerenciar a extrema confiabilidade. Basicamente, eles poderiam abraçar um mainframe virtualizado ou um E25K (abraçar é o ato de dedicar extrema atenção a uma máquina em particular), mas é muito mais difícil abraçar uma nuvem. Além disso, com uma nuvem, você não consegue saber por que está lenta, irritável ou esquisita, mas com um único computador central fica muito mais fácil verificar tudo isso.

Conforme o vinho começou a amenizar a ansiedade, alguns começaram a esboçar suas visões de um ambiente de nuvem ideal (nossos laptops estavam prontos para tomar nota). Resumindo, eis o que queriam:

Extrema diagnosticabilidade. Os veteranos do setor de datacenter sabem que raramente as coisas acontecem como planejado, portanto, partir do princípio de que você está procurando problemas, gargalos ou oportunidades de otimização é mais seguro do que supor que tudo correrá como esperado. Todos eles queriam uma segurança absoluta na resposta à pergunta "e se algo der errado?" - seus empregos estavam em jogo.

Em segundo lugar, eles queriam extrema escalabilidade - todos acreditavam que a mudança para grades em escala horizontal (diversos sistemas pequenos, 'fora de escala'), levariam (como sempre fizeram) a números menores de sistemas maiores ('escala vertical'). Já podemos observar essa tendência através da mudança para CPUs de núcleos múltiplos criando sistemas de 16, 32, 64 ou até 128 bits numa única caixa, unidos através de redes de altíssimo desempenho.

Mas a escalabilidade também se aplica ao gerenciamento de modo geral - ter 16.000 computadores virtualizados é maravilhoso (é como ter 16.000 filhotinhos), até você ter de se preocupar com sua gestão e manutenção. Freqüentemente, o maior desafio (e custo) num datacenter de alta escala não é a tecnologia, é a gama de produtos específicos ou de pessoas gerenciando a tecnologia. Portanto, o gerenciamento uniforme teve de se tornar nossa maior prioridade, tendo em mente um escalonamento extremo (escala de Internet).

Eles queriam uma abordagem independente de hardware e sistema operacional de propósito geral. Ou seja, queriam uma solução que pudesse ser executada em qualquer fornecedor de hardware que escolhessem, não apenas nos servidores e armazenamento da Sun, mas também nos da Dell, IBM e HP. E queriam uma solução que oferecesse suporte a Microsoft Windows, Linux e não apenas Solaris. E que, idealmente, fosse adotada e endossada pela Microsoft, Intel, AMD, e não apenas pela Sun.

E, para finalizar, queriam fonte aberta. Após anos caminhando em direção a software de fonte aberta, e dependendo dele, eles não queriam introduzir novamente software proprietário na camada mais fundamental de seus futuros datacenters. Alguns queriam a possibilidade de "ver o código", para garantir a segurança, outros a liberdade de fazer modificações para cargas de trabalho ou exigências exclusivas.

E, a partir desse feedback, a resposta à pergunta acima pareceu óbvia a um dos participantes: "Por que vocês não podem simplesmente usar o Solaris?" Todos eles rodavam o Solaris em implementações de alta prioridade, todos apreciavam seu desempenho e adoravam a diagnosticabilidade (através de entregue via DTrace), além de sua capacidade de escalabilidade para os maiores sistemas do mundo. Era a resposta perfeita até que um dos clientes perguntou: "Os clientes Windows querem rodar Solaris? Acredito que não." A marca "Solaris" não passava a idéia de neutralidade de sistema operacional - e a neutralidade era fundamental para aquilo que tinham em mente. Mas nós sabíamos que o inventário subjacente das inovações do OpenSolaris com certeza nos daria um excelente começo.

Este é o cenário básico por trás das motivações de nossos comunicados de virtualização da semana passada - um desejo de solucionar problemas para os desenvolvedores e operadores de datacenter em ambientes de vários fornecedores. Se você observar a idéia central de nossos produtos de xVM, verá exatamente como respondemos às exigências descritas acima: integramos o DTrace para oferecer extrema diagnosticabilidade. Tiramos proveito da escalabilidade natural de nossas inovações em kernel para virtualizar os maiores sistemas do mundo. Criamos uma interface límpida e simples para gerenciar nuvens (chamada xVM OpsCenter, clique aqui para mais detalhes), para oferecer soluções de gerenciamento e provisionamento a desde os menores aos maiores datacenters. E tudo está disponível via fonte aberta (e download gratuito), endossado pelos nossos colegas de setor (assista a esses vídeos de lançamento para ver a Microsoft e a Intel endossarem o xVM - não, isso não é um erro de digitação, a Microsoft endossou o xVM). Tiramos proveito também do ZFS para dar o passo inicial em virtualização de armazenamento (a próxima fronteira).

Por que o chamamos de xVM? Para ter certeza de que todos soubessem que nosso alvo não era apenas o Solaris - o xVM virtualiza Microsoft Windows, Linux (Ubuntu, RHEL e outras distribuições) juntamente com Solaris (8, 9 e 10). Os clientes podem consolidar esses sistemas operacionais e, do mesmo modo, consolidar sua infra-estrutura de hardware - e usar o xVM OpsCenter para gestão e manutenção de toda a instalação.

Esta semana, estaremos anunciando uma linha completa de produtos de virtualização que vão desde desktop até datacenter, abrangendo virtualização de desktop (xVM VirtualBox), virtualização de datacenter (xVM Server), gerenciamento de alta escala (xVM Ops Center) e suporte a desktop virtual (xVM VDI e SunRay). Todos endossados e suportados pelo setor, e todos já em uso por alguns dos clientes mais poderosos do mundo.

E, por fim, gostaria de agradecer aos clientes que estavam presentes no evento de algumas semanas atrás, e dar meus sinceros parabéns às equipes envolvidas no lançamento do xVM no mercado, dentro da Sun e de nossa comunidade de parceiros.

Com todas as festividades em torno do xVM, talvez nosso próximo evento para clientes deva ser realizado na região de Champagne...

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Domingo Set 07, 2008

Soprando o vento da mudança no setor de armazenamento

Já se passou um mês (e três furacões nos Estados Unidos) desde que postei pela última vez. Alguns de vocês notaram - obrigado pelo incentivo...

Este foi um verão bem agitado, em todos os sentidos. A atividade dos consumidores não diminuiu e a boa notícia com relação à crise econômica (infeliz sob todos os outros pontos de vista), que vem transtornando muitos clientes (especialmente os do setor de serviços financeiros, uma grande parcela do mercado da Sun) é que ela está soprando o vento da mudança. Os clientes que estão enfrentando pressões em relação aos gastos ou cansados dos aumentos de preço de seus fornecedores têm novas opções, e há um novo apetite para explorar essas opções (não há nada como uma ordem do CEO para reduzir os gastos em 50%).

Entretanto, uma das minhas reuniões mais interessantes recentemente não foi com um cliente, foi com um analista do mercado de ações de uma instituição financeira internacional. Esses analistas realizam pesquisas que alimentam a comunidade de investimento - suas pesquisas e análises financeiras (gratuitas) acompanham as recomendações de compra/retenção/venda aos investidores (que, por sua vez, geram taxas de comercialização para os funcionários dos analistas, espera-se).

Este analista não havia acompanhado o histórico da Sun e estava prestes a desenvolver sua primeira classificação. Ele queria se concentrar em nossos projetos de armazenamento, pois um número cada vez maior de clientes entrevistados estava concentrado em armazenamento, e muitos mencionavam especificamente uma tecnologia de software de fonte aberta: ZFS. (Antes de se encontrar comigo, ele havia conversado com colegas de TI de seu próprio negócio e ficou impressionado em saber que alguns admitiram rodar o ZFS em casa - não há nada como tocar seu cliente em sua própria casa... se você quiser receber o ZFS, clique aqui ou no LiveCD à direita.)

Com certeza você pode observar um crescente foco em armazenamento por parte da Sun - a aquisição da MySQL não é apenas uma aquisição de armazenamento, mas também um aprimoramento nos produtos para desenvolvedor da Sun. Assim como as discussões sobre memória flash, as economias oferecidas pelo arquivamento e o sistema de arquivo paralelo Lustre apontam na direção de um crescente aumento do foco naquilo que a Sun acredita ser uma oportunidade excepcional para os clientes (e portanto, para os investidores). O armazenamento e a computação estão convergindo - e estamos prestes a levar a tendência que transformou o setor de servidores há alguns anos (engajamento em massa nas comunidades de desenvolvimento aberto e escalabilidade alcançada através de grupos de peças do mercado versus tecnologias proprietárias) ao até então fechado e proprietário setor de armazenamento.

A noção de "engajamento de clientes nas comunidades de desenvolvimento aberto" não é muito bem aceita por alguns analistas do armazenamento tradicional (ou seja, nossos concorrentes) que acreditam que o "armazenamento seja importante demais para tolerar software de fonte aberta". Embora eu respeite a sabedoria e a experiência por trás dessa afirmação, acredito que o mercado é muito mais profundo que isso - os ambientes de alta prioridade não toleram software não suportado, é verdade, e é por isso que oferecemos suporte comercial 24x7 para o ZFS (em hardware Sun, e até mesmo Dell). Mas a ampla adoção mundial de grandes projetos de fonte aberta continuará a orientar as mudanças nos datacenters de todo o mundo. A previsão do Gartner de que 90% das companhias do mundo estarão executando software de fonte aberta não especifica onde eles estarão sendo rodados, mas "em todo lugar" é a aposta mais segura.

Mas voltando ao analista do mercado de ações, ele me perguntou pacientemente: "Grande teoria, mas quando você espera ter resultados nos lucros?"

"No ano passado", foi minha resposta. "Agora, você está vendo sua aceleração."

Como muitos já sabem, nós lançamos nossos primeiros sistemas de armazenamento baseado no ZFS em 2007 - conhecido como Thumper. O Thumper fechou o último ano gerando cerca de US$100 milhões em faturamento, mais de 80% ano após ano. Do ponto de vista da capacidade, oferecemos aproximadamente 90 petabytes de armazenamento Thumper no ano fiscal de 2008, a algumas das instalações de armazenamento mais exigentes do mundo (mais de ~200% a/a). O que está alimentando o crescimento? A adoção do ZFS é um motivador óbvio (este gráfico dá uma idéia de onde está a adoção - e, consequentemente, a oportunidade). Mas o mais importante é que os clientes estão percebendo que podem economizar dinheiro, espaço e energia. Os sistemas Thumpers oferecem aproximadamente o dobro da capacidade ocupando metade do espaço e pela metade do preço do concorrente - US$1,20/Gigabyte. (Além disso, eles também rodam em Windows e Linux com a mesma economia de hardware).

A nossa posição é de que os sistemas "OpenStorage" (montados a partir de peças do mercado e software de fonte aberta) crescerão mais rápido do que o mercado de armazenamento proprietário. Planejamos impulsionar esse crescimento e, dentro dos próximos meses, você poderá observar inúmeras inovações em armazenamento miradas na crescente parcela de clientes em busca de opções melhores, mais rápidas, mais baratas e menores. Prepare-se para ver flash, zfs, dtrace e a velha e boa engenharia de sistemas como protagonistas absolutas de um ataque agressivo ao mercado de armazenamento.

E caso você não tenha tomado conhecimento de nosso comunicado da semana passada, nosso progresso foi validado pela análise de setor - a IDC disse que os clientes estão ampliando seus negócios de armazenamento em disco com a Sun muito mais rapidamente do que com qualquer um de nossos concorrentes proprietários. E três vezes mais rápido que o crescimento de mercado geral. Este é um bom começo.

Se quiser saber mais, e estiver interessado num teste gratuito de um sistema Thumper, clique aqui e selecione o seu país. Oferecemos testes gratuitos da maioria dos sistemas da Sun em todo o mundo (sim, isso inclui o frete até você). Se você gostar do sistema, compre-o. Se não gostar, nós cuidamos do reenvio à Sun sem nenhum ônus. (É o mais perto de download gratuito de hardware que podemos chegar...)

Como eu disse ao analista, basta olhar os resultados que já estamos tendo para observar a conexão entre inovação aberta e crescimento de receita. O ZFS não transformará a demanda por nossos produtos antigos, mas com certeza transformará a oportunidade e o setor que está se abrindo diante de nós. Mas não se baseie na nossa opinião, as melhores pessoas para validar nossa abordagem não estão na Sun, mas entre os compradores de armazenamento que estão finalmente sentindo o vento da mudança - em suas costas.

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Terça-feira Jul 29, 2008

MySQL vence no LinkedIn!

Semana passada estive com um cliente que é o responsável pelos serviços de tecnologia e operações de uma das maiores empresas do mundo. Estávamos discutindo suas prioridades para o próximo ano e, numa pauta com diversas prioridades tradicionais (consolidação, gestão de energia, recuperação de desastres, conformidade normativa), havia duas palavras interessantes:

"Fonte aberta".

Perguntei o que significava, por que estava ali. Ele disse que haviam realizado uma auditoria nas atividades de desenvolvimento da empresa e que foi descoberta uma quantidade surpreendente ("centenas") de projetos de fonte aberta que haviam sido concluídos nos bastidores, sem a supervisão dos gerentes. Os projetos tinham como objetivo solucionar problemas considerados muito onerosos ou difíceis de resolver usando tecnologia proprietária - desde atender a um orçamento apertado até automatizar um novo processo. E, em vez de rejeitar a tendência, eles perceberam que havia um real benefício ali, algo que deveria ser investigado mais a fundo. E por isso vieram pedir ajuda à Sun.

Estou vendo a mesma tendência em quase todos os clientes que encontro, a mão invisível da fonte aberta - comunidades de indivíduos com o mesmo grau de devoção a seus empregadores, assim como à produtividade pessoal e coletiva. Essas comunidades, dentro de empresas ou em todos os setores, estão solucionando problemas sem a necessidade de envolver os departamentos de compras (enquanto observam religiosamente as diretivas de privacidade, proteção de propriedade intelectual e licenciamento de software). E, com isso, estão proporcionando uma economia inegável.

Mas será que o uso de tecnologia sem prescrição é realmente raro no ambiente de trabalho? Eu acredito que não - é como escolher sua ferramenta de busca ou rede social favorita, escolhas que fazemos todos os dias (até mesmo CIOs) sem ordens de compra e que têm um peso na produtividade do local de trabalho. Os CIOs mais progressistas estão tentando adotar essa tendência, em vez de lutar contra ela, a fim de encontrar um modo de impor o mínimo possível, e não o máximo possível - selecionando somente as diretivas e padrões cruciais no intuito de gerar eficiência e conformidade.

A mão invisível da adoção de fonte aberta está definitivamente mudando a TI, e está mudando a oportunidade de mercado da Sun - em software, servidores e sistemas de armazenamento. Antes de ser adquirida pela Sun, a MySQL já era um nome sólido nas comunidades de fonte aberta do mundo e já havia penetrado de modo quase invisível nas maiores empresas de todo o mundo. Do meu ponto de vista, a aquisição não mudou muito a posição da MySQL entre os desenvolvedores, mas sim entre os responsáveis pelas decisões de tecnologia tradicional - preenchendo a lacuna que os separava. Um produto de grande adoção tornou-se uma escolha segura para a implantação empresarial. A aquisição abriu novas portas e diálogos comerciais - observamos um aumento significativo nas vendas e atividade de download desde seu anúncio. Também observamos um bom número de CIOs, como mencionado acima, perguntando a suas equipes: "Onde estamos usando o MySQL?" As respostas eram sempre interessantes.

Conforme essas conversas evoluíram para os ciclos de vendas de assinaturas do MySQL Enterprise (para aqueles que querem suporte de alta prioridade, por exemplo), a principal pergunta feita pelos clientes tradicionais tornou-se: "...mas o MySQL é escalável?"

E não há modo melhor de responder a essa pergunta do que citando as empresas mundiais que utilizam a tecnologia MySQL - ao menos uma das quais é usada pela mesma pessoa que fez a pergunta: LinkedIn. Clique aqui para ler um artigo sobre como a Sun e o LinkedIn estão trabalhando juntos para servir uma das maiores e mais valiosas redes sociais, que mais cresce no mundo - em escala realmente mundial.

No ritmo que o LinkedIn vem crescendo, eles estarão gerenciando serviços para mais contas do que a maioria dos bancos no mundo... e com uma incrível economia. (E se você ainda não se inscreveu, você realmente deveria...)

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Quinta-feira Jul 03, 2008

Solaris na Wall Street - Cada vez mais veloz

Lembro-me de um jantar há algum tempo com o CEO de uma grande empresa da área financeira. Uma de suas primeiras ações como CEO foi cancelar um gigantesco contrato de terceirização. Quando lhe perguntei o motivo, sua resposta mexeu comigo. "O setor bancário é um negócio de tecnologia. Pura e simplesmente. Não posso vencer se não tiver minha própria equipe."

Independentemente de sua visão sobre terceirização, ouvi a mesma afirmação de vários (mas não todos) executivos da área financeira - o setor bancário (assim como uma grande parte dos setores de telecomunições, mídia e varejo) tornou-se um negócio de tecnologia, em que cada centímetro de desempenho e diferenciação é importante. Até mesmo e, principalmente, no meio de um momento tumultuado do mercado.

E este é um cenário perfeito para o press release que divulgamos em conjunto com a Intel - no qual atingimos um recorde em velocidade terrestre - um milhão de mensagens por segundo, executando o Reuters Market Data System no Solaris 10 para silício Intel (veja o comunicado para obter mais detalhes). Aos nosso colegas na Intel e na Thomson Reuters... obrigado! Desempenho = vantagem de mercado, economia de energia ou consolidação de datacenter - ou todas as opções acima. Os clientes escolhem.

E dando continuidade ao meu último post sobre o impacto da memória flash e do ZFS no mundo dos datacenters, nosso Adam Leventhal adicionou uma perspectiva técnica muito mais completa em Communications of the ACM: Flash Storage Memory. Vale a pena ler...

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Terça-feira Jun 10, 2008

Não é fogo de palha

Existem apenas dois tipos de dispositivos de armazenamento - os que já falharam e os que vão falhar. Esta é a opinião da maioria dos datacenters sobre os dispositivos mecânicos tradicionais, pejorativamente chamados de "spinning rust" (lataria giratória). Todas as unidades de disco falham, as baratas falham mais rápido.

Se o tempo médio de falha é de cinco anos, um backup ocasional pode bastar para você e seu laptop. Mas quando uma empresa tem 100, 1.000, ou ainda 10.000 ou 100.000 unidades de disco individuais, a falha é um evento diário, se não horário. Os dispositivos mecânicos falham.

E a falha vem sempre acompanhada da potencial perda de dados - usar discos baratos para fazer sua chefe economizar US$ 500.000 não adianta nada se ela receber uma multa de US$ 50.000.000 por violação das regulamentações de retenção de dados. Transações acionárias, imagens médicas ou filmes de longa-metragem - é só escolher, alguns dados precisam estar perfeitos sempre. Nenhum ponto decimal ou pixel deve estar fora do lugar.

É exatamente por isso que, há alguns anos, a Sun inventou uma plataforma de armazenamento chamada ZFS. O ZFS faz uma suposição poderosa - que um sistema confiável precisa ser construído a partir de peças não confiáveis. Através de ciclos de computação excedentes, o ZFS executa avançadas verificações de integridade constantemente, não deixando que a corrupção de dados se oculte em um canto obscuro. Com o ZFS, os clientes podem usar os discos mais baratos e os sistemas mais simples e obter uma integridade de dados excepcional, assim como grandes reduções no custo e na complexidade.

Mas há uma nova opção no mercado, conhecida por muitos através dos cartões de memória de seus celulares, iPods ou câmeras digitais - é a memória Flash. A tecnologia Flash permite ler e gravar dados com muita rapidez, assim como a DRAM (os chips de memória do seu computador). Seu preço fica entre a DRAM e as unidades de disco tradicionais. Mas diferentemente desses, o Flash não requer energia para se lembrar dos dados. E com o preço da eletricidade disparando em todo o mundo, a manutenção de 10.000 discos girando a milhares de rpm pode lhe custar em eletricidade o mesmo que você paga pelo armazenamento. A energia tornou-se o fator dominante nas decisões de hardware de alta escala - e o Flash veio para revolucionar o setor.

No passado, a utilização de tecnologia Flash nas empresas enfrentava dois obstáculos:

O primeiro era o custo, pois seu custo por gigabyte é superior ao de uma unidade de disco comparável. Mas cada vez que o custo da eletricidade aumenta (e o preço da memória Flash cai), seu custo relativo por gigabyte disponível melhora rapidamente - lembre-se, as unidades de disco precisam ser ligadas para que estejam disponíveis. E, embora um gigabyte de disco mecânico possa custar menos que um gigabyte de memória Flash, esse último lê e grava dados ao menos uma ordem de grandeza mais rápido - portanto o custo por gigabyte usado é excepcionalmente baixo.

Mas a verdadeira oportunidade não está em simplesmente introduzir o Flash como mais uma camada do armazenamento em um datacenter - isso adiciona novos custos e novos problemas de gerenciamento. Para introduzir realmente uma mudança no setor, a adição do Flash deve ser totalmente transparente aos usuários e operadores, sem distinção, e sem custos de mudança ou operacionais. E é exatamente isso que estamos fazendo com o ZFS. O ZFS incorporará de modo transparente o Flash na hierarquia de armazenamento de um sistema em execução, usando o cache do microprocessador para as tarefas mais críticas ao desempenho, a DRAM para as seguintes, passando então ao Flash e em seguida ao disco (e por fim à fita). O ZFS permitirá que o Flash una-se à DRAM e aos discos baratos para formar um conjunto híbrido que será usado automaticamente pelo ZFS para alcançar o melhor equilíbrio entre preço, desempenho e baixo consumo energético concebível. Resumindo, nossos sistemas de armazenamento e servidor se tornarão incrivelmente mais rápidos - sem nenhum upgrade ao microprocessador. A adição do Flash será como adicionar DRAM - uma vez feita, não haverá tarefas administrativas adicionais, apenas novos recursos a usufruir.

Esse é um dos motivos do nosso entusiasmo pelo Flash - o custo por gigabyte disponível usado (o custo operacional total do armazenamento) cai graças ao uso do Flash nesse cenário, especialmente no caso de aplicativos com uso intenso de processamento de dados e desempenho (como MySQL, Postgres, Oracle ou SQL Server). Ao ser usado com o design de sistemas correto, o Flash tem o potencial de proporcionar melhorias em ordens de grandeza do ponto de vista da economia e do desempenho - e com o advento do hypervisor xVM da Sun, podemos levar esse benefício em desempenho a qualquer sistema operacional host (rodando em xVM, usuários do Windows também podem herdar o benefício do ZFS+Flash).

O segundo problema é mais complicado, resumindo, embora a memória Flash possa ser lida um número infinito de vezes, gravar em Flash mais de um milhão de vezes pode desgastá-la. Claro que a maioria das pessoas nunca chegará a 500.000 gravações em sua câmera digital. Mas uma empresa sim. O que fazer?

Novamente, o ZFS é a solução.

O ZFS trata a memória Flash como qualquer outro meio de armazenamento - lembre-se, todos os dispositivos de armazenamento falham - e gerencia a integridade de dados quer a falha seja causada por um motor de disco rígido ruim, fadiga de gravação, ou uma furadeira. Algoritmos de "nivelamento de desgaste" cada vez mais sofisticados também estão maximizando o tempo de vida da memória Flash - nivelando a atividade de gravação para evitar falhas devidas a pontos usados com muita freqüência. Mas o mais importante é que com o ZFS no controle, o desgaste deixa de ser um problema (seja em discos rígidos ou em Flash - pois ambos apresentam limitações).

Essas são as premissas por trás da abordagem de sistemas da Sun com relação ao Armazenamento Aberto. Estamos integrando o ZFS, a memória Flash e algumas inovações excepcionais em hardware/silício para proporcionar um alto desempenho, baixo consumo energético, dispositivos de armazenamento e servidor de propósito geral - acelerando qualquer software que rode em nossos sistemas SPARC ou x86 (os usuários de MySQL, especificamente, verão uma grande mudança turbinada). E por uma fração do custo normal de armazenamento NAS proprietário. Nosso primeiro sistema Flash tem lançamento previsto para o final deste ano.

E como você deve imaginar, o ZFS e todos os softwares envolvidos serão gratuitos sem suporte comercial - OpenSolaris, ZFS, MySQL e Postgres já estão disponíveis (clique na imagem à esquerda para obter um LiveCD gratuito - ou confira a versão do ZFS da Apple no Mac OSX). A receita de software virá das empresas que querem o suporte técnico da Sun para implantações vitais aos negócios. Do ponto de vista do hardware, os programas Try and Buy da Sun permitem que qualquer parceiro ou cliente solicite um de nossos sistemas para um teste gratuito por 60 dias - se você gostar, você compra. Caso contrário, pagaremos as despesas postais.

E se ainda assim não ficou claro... a nossa opinião é que o Flash não é fogo de palha - conforme o preço da energia continua sua escalada, e o preço do Flash continua a cair, a combinação entre Flash, ZFS e uma verdadeira inovação em sistemas terá um impacto ainda maior no orçamento de datacenters do que a virtualização.

Isso sim é uma grande coisa.


ATUALIZAÇÃO:  Você deve ter visto que adicionamos outra empresa à lista liderada pela Intel, IBM e Dell de suporte ao Solaris (e consequentemente ao ZFS) como parceiros OEM - esta manhã, comunicamos oficialmente a adição da Fujitsu-Siemens. Parabéns a todos.

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Segunda-feira Jun 02, 2008

Crescendo no P7 (não apenas no G7)

Os padrões reais são os únicos que contam.

É como dizer o óbvio no mundo da tecnologia - as bem-intencionadas entidades de padronização e os departamentos de justiça podem dar o melhor de si, mas no fim das contas, a implementação em massa é o único fator que estabelece padrões. A onipresença triunfa sobre as diretivas, sempre.

Dito isso, participei recentemente de uma mesa redonda para discutir o impacto da tecnologia nas economias de mais rápido desenvolvimento no mundo (mais conhecidas como "BRICA", ou Brasil, Rússia, Índia, China e África).

Um dos participantes mencionou uma interessante mudança no setor de mídia tradicional: as empresas ocidentais estavam voltando sua atenção para o mundo em desenvolvimento. O crescimento do PIB não estava lhes chamando a atenção tanto quanto o demográfico. Os adolescentes e os jovens na faixa dos 20 anos representam os maiores compradores de mídia no mundo, gastando uma parcela maior de sua renda em música, filmes e entretenimento do que qualquer outra faixa etária. E a maioria das pessoas nessa faixa etária vive, por definição, em centros populacionais, não nos EUA, Reino Unido ou Alemanha, mas no BRICA, cuja população coletiva representa quase metade do total do planeta. Considere a análise do Ovum publicada no New York Times, reproduzida à direita, mais como um crescimento dos distribuidores de mídia - e lembre-se, mais pessoas no mundo acessam a Internet através de seus celulares do que de um computador.

O impacto dessa mudança no poder de compra não se limitará à mídia tradicional. O setor de software também é um setor de mídia - tecnicamente, houve uma convergência total entre os dois (um arquivo digital é um arquivo digital, seja ele OpenSolaris, MySQL, um novo vídeo de Jay Chou, ou uma manchete sobre o campeão de cricket). A infra-estrutura para distribuição e manipulação desse conteúdo (por exemplo, servidores, redes, software de armazenamento e infra-estrutura) está cada vez mais se adaptando para servir aos consumidores. O segmento de B2C, ou "business to consumer" (da empresa ao consumidor), do mercado de TI está crescendo muito mais rápido do que o de B2B, ou "business to business" (de empresa para empresa). E qual será a parte mais gorda do mercado para esta infra-estrutura de computação de rede? Por definição, onde os mercados estão centrados - perto dos consumidores (mais da metade deles vive em ambientes urbanos, que possuem boa cobertura do serviço de rede móvel). Se o B2B fez com que o setor de TI se concentrasse ao redor dos centros econômicos (o G7), o B2C concentrou nossa atenção nos consumidores e nos centros populacionais (o P7?). Esta é uma mudança profunda.

Portanto, com este novo cenário, fiz algumas alterações significativas no modo como a Sun está organizada, focalizando a liderança e os recursos em duas novas áreas.

Em primeiro lugar, como muitos sabem dentro da Sun, anunciei a adição de Lin Lee à minha equipe, para gerenciar relacionamentos com órgãos governamentais e ONGs ao redor do mundo. Baseada em Xangai, Lin defenderá a visão da Sun sobre infra-estrutura de rede sustentável, abrangendo fonte aberta e formatos de documento que permitam a criação de datacenters com baixo consumo de energia - já encontramos uma audiência muito receptiva nas economias emergentes. O foco de Lin será ajudar estudantes, universidades e órgãos governamentais e reduzir as barreiras à oportunidade local.

Também anunciei hoje um novo líder subordinado a mim que será responsável pela divisão de vendas e serviços globais da Sun, Peter Ryan. Ele também adicionou à sua equipe uma nova região comercial, Mercados Emergentes - com um novo líder (Denis Heraud). A região Mercados Emergentes, que representa um grupo de economias em rápido desenvolvimento (incluindo BRICA), estará lado a lado com as regiões América do Norte, Europa e Ásia. Somente no último trimestre, nossa divisão de BRICA cresceu dois dígitos - o objetivo desta mudança é acelerar este crescimento adicionando um novo foco, novos recursos e uma forte liderança.

Peter (que somente neste fim de semana me revelou que começou sua carreira como um engenheiro de sistemas mainframe!) substituirá Don Grantham. (Don está deixando a Sun para ajudar a HP a obter uma licença Solaris antes de encerrar sua transação com a EDS...)

As economias em rápido desenvolvimento têm, ultimamente, feito valer a sua voz no mundo dos padrões de TI tradicionais - e também têm sido das mais agressivas na adoção e implantação de software gratuito/de fonte aberta. Naturalmente, elas também têm sido das mais preocupadas com as práticas de tecnologia sustentável: 100.000.000 de novos usuários de PC, cada um usando 200 watts, certamente pavimenta o caminho para o progresso social e econômico - em detrimento de aproximadamente 20 gigawatts de novas usinas elétricas a carvão. Agora você sabe porque os nossos computadores desktop SunRay, de 4 watts cada, despertaram tamanho interesse no mundo em desenvolvimento (e no desenvolvido).

Falando francamente, estamos aumentando nosso foco nas economias em desenvolvimento porque é lá que o software gratuito, além das divisões da Sun, está crescendo mais rapidamente. Onde estão as maiores implantações do OpenOffice? Nos lugares onde economizar US$300 por computador faz uma diferença.

Não me admira que essas economias estejam tão entusiasmadas com os padrões abertos - seus cidadãos acabarão se tornando os mais importantes tomadores de decisões do mundo.

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Domingo Mai 18, 2008

Transparência e escolhas

Há pouco tempo, estive frente a frente com o CEO de uma empresa de mídia. Ele demonstrou ter um grande orgulho do valor social de sua organização - a divulgação de notícias ao mundo através de uma equipe mundial de jornalistas perspicazes e premiados.

Ele me perguntou do que eu me orgulhava na Sun. Entre diversas coisas, eu disse que, acima de tudo, me orgulhava do papel da Sun em garantir que suas notícias pudessem ser divulgadas - "Afinal, nossas tecnologias constituem o meio pelo qual seus jornalistas preparam suas reportagens e, temos um papel central no modo como elas são apresentadas ao mundo através da rede." Tenho muito orgulho do papel da Sun em tornar o mundo mais aberto e transparente.

Indo além do jornalismo profissional, a rede é uma ferramenta social para os cidadãos do mundo, cujas câmeras digitais, celulares, postagens em blog e emails formam uma grande onda de transparência. Vivemos num mundo cujos traumas e triunfos são instantaneamente visíveis. A luz do sol não é apenas um excelente desinfetante, mas também uma maravilhosa rede de segurança - não é possível resolver os problemas de que não se tem conhecimento. Mas assim que você toma conhecimento de um problema, até mesmo a menor das ajudas, multiplicada através da cauda longa da Internet, pode fazer uma extraordinária diferença.

Nos últimos dias, o mundo assistiu um terremoto na China causar milhares de mortos e desabrigados. A área da Baía de São Francisco, onde fica a sede da Sun, sentiu profundamente o impacto - além dos colegas de trabalho, amigos e familiares, nós tivemos nossos próprios traumas com terremotos. Um ciclone em Myanmar despertou sentimentos semelhantes naqueles de nós que foram afetados pelos furacões de Nova Orleans, Louisiana.

Mas o mundo está se tornando cada vez mais transparente. E qualquer ajuda, seja de 1 dólar ou de 1 milhão de dólares, multiplicada ao redor do mundo, faz uma diferença.

É por isso que estou mandando minha ajuda pessoal, às organizações de socorro em que confio, para levar ajuda às vítimas.

E aproveito para incentivá-lo a reservar um momento e fazer a mesma escolha.

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Terça-feira Mai 13, 2008

JavaFX como plataforma de aplicativos RIA

O JavaOne terminou na sexta-feira. Lidamos com indivíduos do mundo todo e de todos os setores: equipamentos eletrônicos domésticos, jogos, TI empresarial, exploração espacial, automação de manufatura, indústria automotiva, setor acadêmico. Assim como a própria rede, Java tem algo a oferecer para quase todos, em qualquer lugar.

O enfoque dos maiores anúncios este ano foi o papel do Java no futuro dos RIAs (Rich Internet Applications). O que é um RIA? Depende da sua perspectiva: a meu ver, é qualquer aplicativo conectado à rede que persista face ao usuário, geralmente fora do navegador, e que funcione quando desconectado da rede.

Por outro lado, eu diria que o Java sempre foi uma plataforma RIA, mesmo antes que tal coisa fosse necessária. Os primeiros applets Java proporcionavam interatividade, porém em troca de complexidade de desenvolvimento e, no início, de desempenho – isso quando um navegador, e mais recentemente o Javascript, já seria suficiente.

Contudo, aplicativos baseados em navegador estão alcançando os limites de complexidade e desempenho, e os proprietários de conteúdo têm como meta obter um nível melhor de interação (por meio de vídeo de alta definição ou interatividade avançada). Desenvolvedores têm buscado algo novo – o navegador é um modelo de programação altamente acessível, porém é um modelo de implementação fraco no caso de aplicativos RIA/desconectados.

Outro fomentador do RIA é a evolução do modelo de negócios – muitas empresas por trás de aplicativos RIA buscam independência de navegadores e mecanismos de pesquisa, cujas configurações padrão e empresas proprietárias representam uma ameaça competitiva. Há um interesse crescente por aplicativos instalados localmente que resultem em uma interação rica, direta e permanente com os consumidores. Ninguém quer pagar pedágio para ir ao encontro de seus próprios clientes.

Tendo isso em mente, ao trabalhar para reinventar a plataforma Java, encontramos um conjunto consistente de requisitos. Vindos não somente de autores de código, mas também de franquias de esporte que buscam uma interação direta com os fãs, empresas de mídia que desejam se libertar das configurações do navegador, artistas, empresas e fabricantes de dispositivos – todos buscam interagir com seus clientes de modo exclusivo via a rede. Esse público tem requisitos similares quanto à plataforma RIA – eles querem uma tecnologia que:

  • Chegue até cada cliente na Internet, em PCs, celulares e novos dispositivos.
  • Forneça alto desempenho e possa atrair profissionais criativos em seu processo de design.
  • Tire proveito de habilidades e infra-estruturas empresariais existentes
  • Seja completamente gratuito e de fonte aberta.
  • Permita aos proprietários de conteúdo controlar e manter a propriedade de seus dados.

Semana passada, durante o JavaOne, abordamos cada uma dessas questões, do seguinte modo:

Em primeiro lugar, desenvolvedores de RIA desejam alcançar todos os consumidores do mundo, via qualquer tipo de dispositivo.

Por quê? Porque o mercado está na frente dos consumidores, qualquer que seja a tela que utilizem para visualizá-lo. Computadores, celulares, PDAs, livros digitais, qualquer coisa. O mercado está em todas as telas do seu dia a dia, não só na do PC.

Para ilustrar isso, só no caso de PCs, a popularidade de Java cresceu muito nos últimos anos, conforme foi medido pelo número de downloads do ambiente de tempo de execução – geralmente, registramos o download de 40 a 50 milhões de novos ambientes de tempo de execução do Java a cada mês, e realizamos a atualização de mais de um bilhão deles por ano. A adoção da plataforma Java excede a adoção do próprio Microsoft Windows – o ambiente de tempo de execução do Java (JRE) é pré-carregado em quase todos os computadores com Windows (da HP, Dell, Lenovo etc.), porém é executado também em computadores Macintosh da Apple e com Ubuntu, Fedora, SuSe, Solaris e OpenSolaris. Além disso, o JRE está presente em bilhões (sim, bilhões) de dispositivos sem fio e móveis, desde painéis de automóveis e dispositivos de navegação até o Kindle da Amazon (você sabia que o Kindle da Amazon é uma plataforma Java)?

Isso significa que a plataforma Java tem mais usuários do que qualquer outra tecnologia de software já criada no mundo.

Em segundo lugar, desenvolvedores de RIA desejam desempenho, funcionalidade E simplicidade.

Por quê? Porque proprietários de conteúdo e desenvolvedores de aplicativo querem captar o interesse dos consumidores e poder contar com artistas e profissionais criativos no fluxo de trabalho.

O histórico do Java em termos de simplicidade não é perfeito – por essa razão, nossas equipes reescreveram o modelo de applet e concentraram-se em assegurar que o novo ambiente de tempo de execução de Java para o consumidor possa ser carregado com excepcional rapidez em uma página da Web, apresente um desempenho notável durante interações complexas e seja facilmente acessível aos consumidores (clique aqui para baixar uma versão beta). Além disso, simplificamos o Java por meio de uma linguagem de script, a JavaFX script, que permite que profissionais criativos interajam com autores de código para criar experiências interativas completas, ao mesmo tempo que adotam a cadeia de ferramentas criativas (desde o design da interação até a manipulação de pixels) usada por designers e artistas digitais no mundo todo.

E tenho o prazer de termos solucionado o problema de instalação em desktop ao separar os applets JavaFX da página da Web com a simples ação de arrastar e soltar (clique na imagem acima para ver uma demonstração). Agora, os desenvolvedores podem ignorar o navegador e instalar com facilidade aplicativos nos desktops: uma vez que o applet é solto na área de trabalho, os proprietários do conteúdo garantem um relacionamento direto com seus consumidores.

Você talvez já tenha visto que estamos adicionando ao Java codecs de vídeo e áudio de alta qualidade completos para todas as plataformas em que é executado – solucionando outro problema dos desenvolvedores de RIA: suporte para mídia baseada em tempo (clique aqui para ver uma demonstração de vídeo de alto desempenho).

Em terceiro lugar, as empresas querem reutilizar suas habilidades e ativos de Java existentes ao migrar para RIA.

Quase todas as empresas empregam programadores com habilidades em Java – ainda é a principal linguagem de Internet ensinada no mundo todo, e encontra-se presente em quase toda a infra-estrutura comercial global. Conforme as empresas se esforçam para atrair o interesse de seus clientes via plataformas RIA, reutilizar habilidades existentes e conectar aplicativos RIA a sistemas existentes proporciona à comunidade Java uma habilidade exclusiva de criar a partir da base existente em vez de tentar substituí-la.

Essa familiaridade também permite que empresas e equipes de desenvolvimento concentrem-se na interação com os consumidores – em vez de irritar a equipe de TI com novos requisitos de infra-estrutura (desenvolvedores de JavaFX simplesmente conectam-se a infra-estruturas empresariais existentes em vez de exigir novos sistemas para os aplicativos RIA).

Em quarto lugar, desenvolvedores de RIA querem plataformas gratuitas e abertas.

Por que gratuitas? Porque desenvolvedores não querem complicar seus aplicativos com dependências que envolvam royalty, nem usar tecnologias que predefinam onde os consumidores podem aparecer. Você não cria comunidades de desenvolvedores em torno de fonte fechada, e sim cria comunidades de usuários e essa é uma situação em que a seleção e adoção dos desenvolvedores definirá o mercado de RIA. O JavaFX, como todas as plataformas de software da Sun, será disponibilizado gratuitamente como fonte aberta, e será lançado por meio da licença GPL (v2).

E não pense que software gratuito e de fonte aberta é atraente somente para os alternativos tatuados... estamos vendo um aumento notável de países em desenvolvimento buscando software de fonte aberta através de departamentos de compra governamentais e acadêmicos. Por quê? Para proteger o direito de escolha e criar oportunidades inerentes – não há motivos para criar a dependência de software proprietário quando isso pode ser evitado.

Por fim, admitamos, o valor real de Web 2.0 está nos dados - e não no aplicativo. E esses dados são SEUS.

Se você analisar o espaço de mídia social cuidadosamente como nós temos feito, entenderá o valor da instrumentação e intenção ao criar um negócio na Web. Saber o que os usuários estão fazendo com seu produto, seja ele uma liga de críquete fictícia ou um aplicativo de transação bancária, permite o surgimento de mais modelos comerciais inovadores, o fornecimento de serviços de maior valor, o posicionamento de anúncios mais eficaz – dados permitem a tomada de decisões informadas e o aumento do valor de um produto (além, claro, de um CPA mais alto).

Contudo, a maioria dos aplicativos RIA é criada e então implementada cegamente. Os desenvolvedores que ultrapassam os limites do navegador perdem o acesso a informações sobre o que os usuários fazem com o produto ou têm de depender de um provedor de tecnologia que acaba se infiltrando em seu fluxo de dados. E alguns desses provedores de tecnologia são concorrentes dos desenvolvedores de conteúdo.

Através de um projeto com o codinome Project Insight, vamos aprimorar a plataforma Java para permitir que desenvolvedores coletem o fluxo de dados gerado por seu conteúdo RIA. Os desenvolvedores de JavaFX poderão se concentrar em seus modelos de negócios em vez de ter de aprimorar os dos outros.

_______________________

Com isso tudo em mente, o que representa o sucesso do JavaFX para a Sun?

Por definição, ele vale mais para a Sun do que a adoção da plataforma de terceiros (conhecido como "valor de opção positiva") - e a infra-estrutura proprietária usada para servi-la (não se esqueça de que os RIAs contam com backends de Internet avançados). E no mundo de RIA, todas as opções serão gratuitas, sempre – essa não é uma corrida a ser ganha no preço.

Na minha opinião, a plataforma com maior chance de vencer é aquela que liberta os desenvolvedores para que alcancem mercados, oportunidades e experiências de usuário a seu critério, e não a critério dos fornecedores. E libertar desenvolvedores é o que fazemos melhor. É parte do DNA de tudo que criamos.

Desenvolvedores, saibam mais em JavaFX.com. E não deixem de conferir o NetBeans - assim como o próprio Java, ele começa a revolucionar o mundo livre...

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Sexta-feira Mai 09, 2008

Nosso terceiro trimestre

Anunciamos os resultados de nosso terceiro trimestre fiscal (Q3) na quinta-feira da semana passada, e os resultados não foram o que eu, ou qualquer um de nós, esperava.

Como você pode ler no press release, geramos US$3,267 bilhões de receita no Q3, quase que o mesmo que no ano anterior. Essa receita inclui uma perda (de acordo com GAAP) de 4 centavos (equivalente ao valor associado à aquisição da MySQL, fechada naquele trimestre) - a receita também registra um caixa de US$320 milhões.

O pior desempenho do trimestre foi a receita gerada nos Estados Unidos, que tem registrado uma baixa ano após ano de cerca de 10%, um declínio imenso em uma região geográfica que geralmente contribui com 40% de nossa receita total. Os destaques do trimestre foram o nosso desempenho na Índia, com um crescimento de 30% a cada ano, e nossos sistemas Niagara com chip multi-threading, cujo faturamento cresceu em 110%.

Registramos um crescimento em 12 das 16 regiões geográficas em que vendemos, porém é difícil compensar em outras regiões uma queda na maior economia mundial (e a maior em termo de portfólio da Sun). Portanto, não registramos um crescimento no nível corporativo.

Apesar da queda da economia nos Estados Unidos, encontramos crescimento e oportunidades no resto do mundo. Obviamente, faremos algumas mudanças como resultado do trimestre, porém não nos fundamentos de nossa visão ou direção estratégica - a infra-estrutura de rede está sendo desenvolvida no mundo todo, desenvolvedores continuarão a definir sua arquitetura e gerar demanda, e nós continuaremos a nos posicionarmos para liderar e conquistar esse mercado.

Tendo isso em mente, vou responder aqui algumas perguntas:

O que aconteceu nos EUA?
No fim do trimestre, percebemos uma queda dramática no mercado - em relação aos clientes menores e aos grandes sistemas (como servidores empresariais e grandes bibliotecas de fitas). Como vimos, fechamos o segundo trimestre com uma grande quantidade de pedidos pendentes, muita energia e comentários positivos dos clientes de que estávamos no caminho certo, portanto foi com surpresa que registramos uma queda nos negócios no começo de março.

Por que os negócios envolvendo grandes sistemas parou de crescer?
Não parece fazer sentido, porém é mais fácil notar um declínio nos pedidos de grande volume e de sistemas maiores do que nos pedidos de compra menores. Ao vender os sistemas e o armazenamento fundamentais a uma grande implementação, esse ciclo de vendas é geralmente longo e envolve um processo de implantação também longo (os sistemas não são ativados no mesmo dia em que são recebidos). Portanto, suspender essa negociação por algumas semanas, seja por medo da crise hipotecária nos Estados Unidos ou porque o CFO decidiu cortar gastos, parece ser uma decisão sensata.

E lembre-se, nossos negócios é um portfólio, que engloba desde blades "low-end" e serviços de treinamento de alto crescimento, a sistemas empresariais "high-end" e software de infra-estrutura de crescimento mais lento. Não há um só sistema ou produto que atenda a todas as circunstâncias: é um portfólio.

E como vocês vão se ajustar a isso no futuro?
Continuaremos a diversificar nossos negócios, geograficamente, e com a introdução de nossas iniciativas de Armazenamento aberto na semana passada, além de aquisições como a da MySQL e Vaau, continuaremos a nos posicionar em mercados adjacentes.

Anunciamos também um plano de reestruturação, através do qual faremos reduções específicas em despesas operacionais. O resultado será a eliminação de até 2.500 empregos.

Para deixar claro, estamos adotando medidas firmes e prudentes para enfocar oportunidades de crescimento e para alinhar nossa estrutura de custos com nosso modelo de negócios. Como fizemos algumas vezes no passado, estamos adotando ambas essas medidas: decidindo onde investir e onde não investir.

Empresas em evolução nunca param de tomar decisões.

Que área registrou crescimento no trimestre?
Em 12 das 16 regiões geográficas que atendemos: Índia (crescimento de 30%), Brasil (crescimento de 20%), além de China, Rússia, Oriente Médio, Canadá, são algumas das áreas com crescimento. Em geral, o mundo continua a buscar a tecnologia como fonte de crescimento, automação e eficiência. Até mesmo nossas ações em Wall Street registraram um crescimento no trimestre passado.

Em relação aos produtos, nosso enfoque em economia de energia continua a valer a pena, com um crescimento em faturamento de 110% dos sistemas Niagara a cada ano, e nosso mais novo sistema de blade (AMD, Intel e SPARC) crescendo a uma velocidade ainda maior. A equipe da MySQL demonstrou um ótimo crescimento no trimestre, e a receita de Serviços aumentou em 3% (obviamente, a maior parte disso está relacionada a software). O faturamento de armazenamento em disco subiu em 6%.

Receitas diferidas de produtos aumentaram novamente em mais de 25% - essas receitas diferidas tendem a estar associadas a sistemas "high-end" e configurações mais complexas, com margens brutas acima da média da empresa. Receitas diferidas de serviços registraram uma queda, atribuída à transição de ERP que mencionei anteriormente (esperamos recuperar isso no quarto trimestre).

Que área registrou o pior desempenho?
Os sistemas empresariais, que mostraram um ótimo crescimento no primeiro e segundo trimestre (20% e 8% de crescimento, respectivamente), registraram uma queda no trimestre, que não pode ser atribuída à concorrência. Vimos um desempenho excepcional de nossos sistemas APL criados com a Fujitsu, além do fortalecimento da parceria. Bibliotecas de fita também registraram queda, embora as vendas de mídia tenham sido robustas.

Dado o tamanho de ambas essas linhas de produto, nossos negócios "low-end" de maior volume ainda não alcançaram uma escala suficiente para compensar a queda nos negócios "high-end" de menor volume.

Por que não param de fornecer software gratuitamente?

Porque priorizamos a adoção por parte dos desenvolvedores. Darei aqui um exemplo.

Semana passada, vimos uma importante empresa de mídia arrecadar uma soma considerável de dinheiro para obras beneficentes. Até então não a tínhamos como cliente potencial. Enviei uma mensagem ao diretor da equipe de vendas global da Sun, uma vez que o evento envolveu uma considerável infra-estrutura em crescimento, e perguntei se já havíamos contatado aquela empresa.

Ele respondeu que não, porém fizemos contato imediatamente, e descobrimos que sua estrutura havia sido criada inteiramente com base no MySQL.

Portanto, antes que fizéssemos qualquer contato ou negociação e antes daquela empresa começar a criar essa imensa infra-estrutura, a equipe da MySQL já havia conquistado esse negócio, batendo a concorrência de produtos proprietários. O que deveríamos ter cobrado deles inicialmente? Qualquer que fosse nosso preço, eles não teriam adotado o produto - empresas "startup" e desenvolvedores não pagam por software. Contudo, aqui está uma pergunta diferente: o que deveríamos ter pago a eles para que optassem pelo MySQL e não por produtos proprietários antes de embarcarem numa expansão imensa?

Essa é a pergunta correta. Não pagamos a eles, a equipe da MySQL mereceu ter seu produto adotado.

Eles vão agora pagar por uma licença? Talvez não, porém estaremos bem posicionados se, e quando, eles (assim como o Facebook, Nokia ou The New York Times) o fizerem. Nesse meio tempo, não pagamos para tê-los como cliente de referência. Esta manhã estive com algumas empresas startup em nosso StartupCamp, e perguntei quantas pessoas do público *não* usavam software gratuito... ninguém levantou a mão. Por que enfocamos as empresas startup? Porque enfocamos todos os desenvolvedores, seja em empresas grandes ou pequenas.

E o que o preocupa quanto à concorrência?
Nada. Analisamos a queda dos negócios nos Estados Unidos, e a principal causa não era a concorrência - o fato não é que os negócios estavam indo para o concorrente, mas sim que os clientes pararam de emitir pedidos de compra no trimestre. Temos uma forte presença nos mercados norte-americanos, e potencialmente, estamos melhor posicionados para receber pedidos de compra que envolvem processos de decisão (embora eu não acredite que servidores envolvam um processo mais complexo do que produtos de armazenamento - acredito que estejam em convergência). A Avnet, um de nossos maiores distribuidores, teve a mesma experiência nos Estados Unidos.

Por que vocês não fizeram um anúncio prévio sobre o trimestre?
Porque queríamos ter certeza, ao fazer o anúncio, de que finalizamos nossos cálculos e nosso plano para ajustar a estrutura de custo no futuro. Como estamos no meio da transição para ERP, ainda estávamos finalizando o trabalho no fim de abril. Além disso, precisávamos rever nosso plano de reestruturação do ano fiscal de 2009 com o conselho diretivo antes de divulgá-lo. Anunciamos os resultados assim que terminamos esse processo de criação, revisão e aprovação do plano.

Qual foi a perda em relação ao lucro do ano anterior?
Bem, sem entrar em detalhes da contabilidade GAAP, geramos um caixa alto no trimestre (mais de US$320 milhões), e converter esse valor em receita com base nos princípios do GAAP envolve vários itens de linha associados com contabilidade de aquisição, amortização de goodwill, provisões para imposto, despesas com opções de compra de ações - tudo isso, em termos não monetários, totalizou até 22 centavos de encargos.

Vocês estão fazendo a recompra de suas ações?
Não fazemos declarações sobre planos de recompra, porém informaremos sobre possíveis compras no fim do trimestre.

Quando a economia dos EUA se recuperará? A crise se espalhará internacionalmente?
O negócio da Sun é criar inovações em redes, portanto não fazemos previsões quanto à economia global.

Portanto, concluo aqui na esperança de ter deixado claro a você a nossa percepção atual. E termino essa postagem com uma pergunta difícil,

"Por que o CEO da Sun perde tempo escrevendo aquele blog?"
Porque acredito que seja importante esclarecer os aspectos de nossa estratégia e operações - não apenas uma vez por ano no Relatório Anual. Acredito que a transparência quanto a direção que tomamos seja útil para nossos acionistas, clientes, parceiros e funcionários.

Tanto no tempo de vacas gordas, quanto no de vacas magras.

________________

Declaração de "Porto Seguro"

O blog de Jonathan contém declarações progressivas sobre os resultados e desempenho futuros da Sun, incluindo declarações sobre a orientação da Sun com relação aos efeitos de nosso plano de reestruturação e expectativas quanto à receita diferida. Essas declarações progressivas envolvem riscos e incertezas, e os resultados reais podem diferir substancialmente das previsões de tais declarações. Os fatores que podem fazer com que os resultados reais sejam substancialmente diferentes das previsões contidas nas declarações progressivas incluem: riscos associados com o desenvolvimento, design, fabricação e distribuição de novos produtos; insucesso em avanços tecnológicos, exigências de preço; falta de aceitação de novos produtos por parte do cliente; possibilidade de erros ou defeitos em novos produtos; concorrência; condições comerciais adversas; falha em reter funcionários importantes; cancelamento ou atraso de projetos; nossa dependência em fornecedores de fonte única; riscos associados com nossa capacidade de adquirir uma quantidade suficiente de componentes para atender à demanda; riscos de inventário; e atrasos no desenvolvimento do produto ou aceitação por parte do cliente e implementação de novos produtos e tecnologias. Consulte também os relatórios periódicos da Sun que são entregues de tempos em tempos à Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos EUA, incluindo o Relatório Anual no formulário 10-K para o ano fiscal encerrado em 30 de junho de 2007 e os Relatórios Trimestrais em formulários 10-Q para o trimestre fiscal encerrado em 30 de setembro de 2007 e 30 de dezembro de 2007. A Sun não assume qualquer obrigação e não pretende no momento atualizar essas declarações progressivas.

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Quinta-feira Abr 17, 2008

Liberdade de escolha

Hoje é o dia de abertura da Conferência do Usuário de MySQL - portanto, gostaria de descrever aqui um episódio recente de interação com um cliente relacionado à aquisição.

Há algumas semanas, fiz uma visita ao Diretor de Informática (CIO) de uma grande instituição comercial. Com ele estavam também o Diretor de Tecnologia (CTO), o Diretor de Segurança da Informação (CISO) (também conhecido como "see-so"), e vários outros representantes de diversos departamentos da sua (grande) organização de desenvolvimento.

A equipe da Sun passou o dia revisando nosso progresso juntos e fechou o dia com uma apresentação sobre o planejamento previsto para o produto. Pelo que percebi, o dia havia sido produtivo, portanto, quando cheguei, foi mais para agradecer pelo negócio realizado e me assegurar de que todos tinham meus dados de contato caso eu pudesse ser útil no futuro de alguma forma.

Havíamos acabado de fechar a aquisição da MySQL, por isso, antes de ir embora perguntei: "Vocês gostariam de uma rápida atualização sobre a nova adição de nossa família, o MySQL?"

O CIO respondeu categoricamente com um: "Nós não usamos o MySQL, usamos o [nome omitido para proteger o proprietário]". O CISO disse: "Não podemos simplesmente deixar que os desenvolvedores baixem software da Internet, sabe, precisamos levar em conta as regulamentações e a segurança". O CTO sorriu. Todos os outros pareciam estáticos. Eu estava para deixar por isso mesmo. Obrigado pelo negócio realizado.

Até que um representante de vendas assertivo da Sun fez (diplomaticamente) a seguinte afirmação: "Hmm... não, eu falei com um colega meu na MySQL e pedi que ele verificasse - vocês baixaram o MySQL mais de 1.300 vezes nos últimos doze meses."

Após um silêncio profundamente constrangedor, um dos membros da equipe de desenvolvimento interno deles disse: "Na verdade, todo mundo o usa. Por que devemos nos preocupar com contratos de licença se o MySQL oferece tudo? Estamos entusiasmados com essa aquisição feita pela Sun."

Silêncios constrangedores à parte, atualmente nós temos um relacionamento muito produtivo com o cliente, oferecendo suporte comercial de modo global para o que se tornou o banco de dados mais popular dentro de sua divisão de desenvolvimento. Eles estão encontrando cada vez mais aplicações para o MySQL, e cada vez mais modos significativos de economizar tempo e dinheiro enquanto avançam em direção ao futuro.

E essa situação - de um CIO não saber o quanto o software gratuito se tornou onipresente e valioso na sua organização - não é atípica. Na verdade, é muito comum, e uma fronteira que estamos tentando delicadamente atravessar.

A oportunidade está em todo lugar.

Assim como o software gratuito e de fonte aberta.

Eles podem até caminhar juntos.

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Segunda-feira Abr 07, 2008

Quem é o verdadeiro peixe de abril?

Se você quer saber a história por trás do vídeo do Dia da Mentira que está circulando pela Sun (abaixo)... é mais ou menos assim:

Meu normalmente confiável administrador me avisou sobre um almoço marcado com meu normalmente confiável amigo, Ted. Então fui a um normalmente confiável restaurante, onde a normalmente confiável garçonete me encaminhou até minha mesa - passando por diversas câmeras de vídeo que eu inocentemente não notei. Ted disse que conseguiu entrar em contato com Dan, um normalmente confiável colega que o colocou em contato com um especialista técnico que eu gostaria de conhecer.

Ted disse que o convidado está voando de Los Angeles para o encontro. E que ele esteve envolvido num acidente que pode prejudicar sua fala. Prestem atenção especial ao minuto cinco, que marca a primeira vez que vi alguém fazer uma galinha com um guardanapo.

Sou o primeiro a dizer que o vídeo exibido foi altamente editado. As boas (e, apesar da brincadeira, normalmente confiáveis) pessoas que editaram as legendas fizeram os cortes apropriados a uma audiência global que geralmente não está acostumada a uma baba tão abundante. O quanto eu estava desconfortável na mesa? Após assistir à versão não editada com uma colega da Sun antes do vídeo ser divulgado, ela comentou: "Veja como sua mãe lhe educou bem, você nem o olhava."

Mudando para um assunto mais civilizado, a matriz da Sun foi invadida ontem por golfinhos guinchantes, nadando de forma sincronizada de um lado para o outro... dizem que estavam indo a um encontro com um representante da sua comunidade que atualmente lidera nossa divisão de banco de dados.

Ah, e Bill Macgowan ainda está na Sun.

Eu o responsabilizarei pessoalmente pela minha nomeação como o verdadeiro peixe de abril (afinal os golfinhos não são peixes, são mamíferos), e terei sempre uma certa desconfiança em relação a ele... mas ele ainda está aqui.

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Quinta-feira Abr 03, 2008

Devolvam.

Como vocês sabem, a estratégia de software de fonte aberta e microprocessadores da Sun já foi motivo de controvérsia algumas vezes. Preenchemos páginas e mais páginas de revistas e salas de bate-papo com todos os tipos de diálogo e, periodicamente, com a lunática teoria da conspiração.

Como muitos previram desde o início, a controvérsia era, na verdade, não um subproduto da estratégia, mas a própria estratégia: ao falar sobre a Sun, você ao menos não está falando sobre os concorrentes. E então você comprará um datacenter.

Mas agora que temos uma boa reputação como líderes em fonte aberta, tenho a preocupação de que não haja mais espaço para controvérsias. Há confiança demais no sistema e transparência demais sobre o nosso propósito estratégico. Portanto, está ficando cada vez mais difícil criar uma tempestade - não podemos gastar um bilhão de dólares ou mudar nosso símbolo na bolsa de valores sempre que quisermos destaque na manchete dos jornais. Podemos?

É por isso que hoje eu gostaria de anunciar o segundo capítulo de nossa estratégia.

Queremos que vocês devolvam tudo. Vocês não acreditaram realmente que deixaríamos que vocês ficassem com tudo, acreditaram?

Solicitamos especificamente que todo software gratuito distribuído originalmente pela Sun Microsystems, relacionado a software ou a microprocessadores, incluindo, mas sem limitações, arquivos de origem, binários, derivativos, extensões, aplicativos, patentes, solicitações de patente, direitos autorais, idéias, pensamentos e pensamentos derivativos, juntamente com todos os seus espelhos, sejam devolvidos imediatamente.

Além disso, (sabemos que esta é a parte arriscada, mas precisamos envolver também os defensores da privacidade), solicitamos que todos os dados processados, armazenados ou criados com tal propriedade intelectual, até e incluindo todos os dados armazenados dentro de sistemas de arquivo, bancos de dados ou aplicativos de produtividade de fonte aberta, também sejam devolvidos. Até mesmo o resumo de livro escolar que seu filho acabou de criar usando o OpenOffice.

Solicitamos que tudo seja devolvido em até trinta dias.

Grato pela compreensão.

______________________________

E, embora seja contra a minha vontade, vivemos numa sociedade litigiosa, portanto: SIM, esta é uma brincadeira de 1º de abril, conforme definido nas seções relevantes da Lei de valores de 1933 dos Estados Unidos (Securities Act of 1933).

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Terça-feira Abr 01, 2008

Ainda tenho um emprego?

Este é Bill Macgowan.

Bill é o Diretor de Recursos Humanos da Sun.

O que significa que ele trabalha comigo para criar e cultivar talentos na Sun.

Ele é inteligente, eloqüente e geralmente tem bom senso.

Geralmente.

Mas hoje ele me pregou uma peça. Sim, em mim. Uma peça do Dia da Mentira.

A brincadeira foi feita com bastante antecedência para ser transformada num vídeo que será exibido para a diversão dos funcionários da Sun nesta terça-feira (1º de abril, dia da mentira). E se eu tiver a coragem de exibir publicamente minha ingenuidade, será aqui, neste blog, perante uma audiência mundial.

A peça que me pregaram, como qualquer boa brincadeira no vale do silício, envolveu um investidor, um visitante babão, um babador e costeletas de carneiro.

Graças à delicadeza com a qual meus pais me educaram, a brincadeira me fez sofrer. Sem olhar. Concentrando minha atenção no negócio que deveria fechar.

Sem nenhuma idéia de que era uma brincadeira.

Até que todas as câmeras apareceram. Foi só então que percebi que havia algo errado. Eu caí na pegadinha.

Quando eu voltei do almoço cabisbaixo, Bill me encontrou no corredor e me perguntou, com seu vídeo ilegal na mão: "E então, eu ainda tenho um emprego?"

E eu tenho até terça-feira para pensar numa resposta criativa.

Lembrem-se, meu colega de escritório é o CFO, e o Diretor Jurídico também tem um blog. Certamente há uma possibilidade de revanche inteligente.

Certamente :)

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Sexta-feira Mar 28, 2008

OpenSolaris, segurança e a NSA

Fizemos um comunicado muito significativo na semana passada sobre a colaboração com uma das instituições de segurança mais confidenciais (se não a mais confidencial) do mundo, o National Security Agency, ou Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Eles se uniram à cada vez maior comunidade OpenSolaris a fim de colaborar com a Sun e os outros membros da comunidade para o futuro dos sistemas operacionais de altíssima segurança.

Para colocar isso em contexto, o engajamento na comunidade sempre foi um dos mais importantes meios para inovação da Sun no mercado - trabalhamos em parceria com clientes que têm exigências altamente especializadas (seja a maior instalação de supercomputadores do mundo, ou os profissionais de segurança mais paranóicos do mundo (sem querer ofender), ou a maior instalação de arquivos de armazenamento do mundo), e utilizamos a experiência adquirida para criar produtos para o mercado de massa. Deixamos que os clientes altamente especializados nos mostrem o que o resto do mundo estará vivenciando em um futuro próximo.

Em nove de dez casos, a experiência dos clientes altamente especializados é um grande sinalizador de tendência para o restante do setor como um todo.

No passado, esse tipo de colaboração geralmente envolvia páginas e mais páginas de documentos jurídicos que descreviam todos os tipos de restrições de confidencialidade, trocas de propriedade intelectual ou onerosos processos institucionais. Mas tudo ficou muito simples quando adotamos a comunidade de fonte aberta - agora nossas colaborações mais frutíferas resumem-se a: "junte-se à comunidade". E é exatamente isso que estamos anunciando com a NSA, eles se uniram à comunidade OpenSolaris.

Em vez de abordar todos os detalhes da nossa colaboração, decidi passar o trabalho pesado a Bill Vass, o presidente da divisão de sistemas federais da Sun, e enviei a ele um monte de perguntas para postar como Perguntas e Respostas. Suas respostas estão publicadas abaixo.

Então Bill, qual foi o nosso comunicado?
Comunicamos a formalização do nosso relacionamento com a NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, para incorporar suas pesquisas em segurança a um projeto da comunidade OpenSolaris chamado FMAC (Flexible Mandatory Access Control). O press release sobre o projeto está disponível aqui.

O que é o FMAC (Flexible Mandatory Access Control)?
Primeiramente, o MAC (Mandatory Access Control, ou Controle de Acesso Obrigatório), é um mecanismo implementado de modo geral no sistema operacional que proporciona restrições intransponíveis aos privilégios de sistema. O MAC existe para impedir que uma pessoa qualquer visualize seu formulário de pedido de passaporte sem permissão ou desligue uma máquina que está executando uma implementação de alta prioridade. Basicamente, ele é um gerenciador de privilégios.

Mas o MAC não é "pau-para-toda-obra", e é aí que entra a flexibilidade. Os objetivos de segurança de uma instalação podem variar de acordo com o valor de seus ativos de informação ou sistemas, assim como com os métodos usados para protegê-los. Ao permitir a flexibilidade, a política de segurança pode ser descrita para atender às necessidades reais de controle de acesso com base em um modelo de aplicação extensível.

Daí surgiram os Flexible Mandatory Access Controls, ou Controles de Acesso Obrigatório Flexíveis - você pode ler mais sobre o FMAC aqui. O FMAC não é de interesse apenas do governo, mas também de sites de relacionamento social, ou de bancos, pois o controle de acesso simplificado e fácil de usar é do interesse de todos, incluindo consumidores e corporações.

Quem está envolvido no projeto?
A Sun e a NSA estão trabalhando em conjunto com a comunidade OpenSolaris, e estamos ampliando o convite à participação - um dos grandes benefícios de ser uma empresa de fonte aberta é que a Sun pode inovar de modo aberto, dentro de uma enorme comunidade. Para as tecnologias de segurança, de modo particular, a transparência no desenvolvimento é absolutamente vital, até mesmo para a NSA - é impossível esconder cavalos de Tróia em plataformas de fonte aberta. Portanto, a fonte aberta permite que os clientes de alta segurança confiem nos fornecedores *e* verifiquem.

Essa colaboração é um grande endosso para a integridade da comunidade OpenSolaris entre os usuários governamentais com foco no progresso tecnológico e comercial.

Portanto, por que a NSA escolheu a Sun?
Segurança e desempenho são a base do nosso relacionamento com os órgãos governamentais em todo o mundo. A segurança é nosso foco desde nossas origens, e temos mais de 20 anos de experiência no setor de sistemas operacionais de segurança (basta lembrar que o Trusted Solaris nasceu a partir de uma colaboração com o governo dos Estados Unidos há aproximadamente uma década).

Nossas tecnologias de segurança estão por toda parte, desde o cartão SIM de seu celular às plataformas de gerenciamento de identidade dos maiores serviços da Web do mundo. Além disso, o Solaris já foi reconhecido há muito tempo como o sistema operacional de fonte aberta mais seguro em implantação, desde os campos de batalha aos sistemas de controle. Portanto, essa parceria foi muito natural para nós.

Você mencionou algo sobre integrar uma pesquisa de segurança da NSA?
Sim, estamos investigando como a pesquisa da NSA sobre a arquitetura FLASK (Flux Advanced Security Kernel) e a política de aplicação por tipo (TE, type enforcement) podem ser combinadas com a nossa tecnologia Solaris Trusted Extensions. Elas são potencialmente complementares e acreditamos ser possível tirar proveito disso para a criação de uma pilha de aplicativos totalmente de fonte aberta - incluindo MySQL e Glassfish/Java e avançando na direção do usuário.

A arquitetura Flask faz uma separação entre a aplicação da política e a política em si. As políticas podem ser modificadas sem alterar os "ganchos" de aplicação no ambiente operacional, o que facilita muito a vida dos administradores de segurança e torna os sistemas mais flexíveis e úteis.

Por sua vez, a política Trusted Extension permite um controle de acesso muito refinado que pode ser usado para se proteger contra software mal-intencionado.

Por que estamos embarcando neste trabalho com a NSA?
Recebemos solicitações de uma implementação baseada em Flask/TE para Solaris de diversos clientes governamentais. E agora que temos o Solaris Trusted Extensions, é o momento perfeito para começar a olhar em direção ao futuro. Já temos uma excelente infra-estrutura MLS (Multilevel Security, ou segurança multinível) com o Solaris Trusted Extensions, mas o valor das tecnologias combinadas pode gerar uma plataforma única extensível que pode ser usada para proteger informações confidenciais de órgãos governamentais, bem como das empresas líderes e, por fim, até mesmo de aparelhos eletrônicos como seu celular ou câmera de vídeo digital.

Qual o público-alvo do FMAC?
Como disse antes, os sistemas baseados em MAC são usados principalmente pelos órgãos governamentais. Nosso objetivo futuro é tornar tecnologias como o FMAC mais acessíveis aos mercados comerciais, desde empresas startups a grandes empresas. Os órgãos governamentais geralmente são bons indicadores de tendência no que concerne à segurança comercial de forma mais ampla.

A alta segurança costumava ser algo para poucos, mas agora se tornou essencial, tanto para o governo norte-americano como para os do mundo inteiro e, de modo mais importante, para os usuários.

O projeto está limitado aos Estados Unidos?
Não. É um projeto OpenSolaris e queremos que a comunidade global ajude a levá-lo adiante. Se houver outros interessados em colaborar, basta criar uma conta em opensolaris.org e unir-se a nós.

Se alguém quiser contatar a sua equipe para falar sobre FMAC na comunidade de fonte aberta, o que deve fazer?
Basta mandar um email para bill.vass@sun.com. Temos várias pessoas em Washington, DC, assim como contatos em todo o mundo que podem ajudar as organizações a entender os conceitos de segurança e fonte aberta, além de mostrar como se unir à comunidade para colaborar na inovação em segurança. Esse é o momento, junte-se a nós!

Obrigado, Bill. Muito grato.
Não há de quê.

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Quarta-feira Mar 05, 2008

A maior nuvem de supercomputação do mundo

Eu não sabia que o telescópio Hubble podia ver apenas 12 bilhões de anos no passado.

Sinceramente, eu nunca pensei que os telescópios pudessem ver o passado, até que o Dr. Michael Norman, um pesquisador da UCSD, me deu uma lição básica sobre astronomia e me explicou que o Hubble vê corpos celestes cuja luz chega até nós somente agora. Mas ele pode ver "somente" 12 bilhões de anos no passado - e este é um véu através do qual ele gostaria de penetrar. (Eu perguntei a ele o que fazia para ganhar a vida e sua resposta foi: "Eu simulo o universo". Isso é que é descrição de cargo.)

A pergunta que ele estava interessado em responder era: "E os 1,7 bilhão de anos anteriores?" O universo tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos e, devido às limitações do Hubble, ele estava usando um dos maiores supercomputadores do mundo, a plataforma Ranger, no TACC (Texas Advanced Computer Center), na Universidade do Texas em Austin, para simular os 1,7 bilhão de anos anteriores. (Mais tarde ele admitiu estar mais interessado nos 1,5 bilhão de anos anteriores, os primeiros 200-300 milhões eram caracterizados por nuvens de hidrogênio que ainda levariam muito tempo para se tornarem estrelas.)

Para celebrar a inauguração do Ranger, pediram que eu fizesse o discurso de abertura, e este foi apenas um exemplo da enxurrada de pesquisas básicas e científicas que serão executadas na maior plataforma de computação aberta do mundo. Aberta? O centro foi fundado pela National Science Foundation e tem como compromisso fornecer serviços de supercomputação em larga escala a qualquer pesquisador ou cientista dos Estados Unidos (envie sua proposta aqui). O Ranger é totalmente baseado em Sun - mergulhando no jargão técnico por um momento, aqui estão os detalhes:

  • Cerca de 600 metros quadrados de espaço de datacenter, com consumo inferior a 3 megawatts...
  • Mais de 4000 blades quad core Sun/Opteron, 120+ Tb de DRAM, rodando CentOS
  • Capacidade computacional de mais de 500 teraflops
  • Tarefas programadas pelo Grid Engine da Sun
  • Interconectado por dois switches Magnum não bloqueadores de 100 terabits (chifres opcionais)
  • Dados gerenciados pelo sistema de arquivo Lustre, em Thumpers
  • Mais de 2 petabytes de armazenamento
  • Gerenciado pelo nosso produto de gerenciamento de dados hierárquico SAM-FS, arquivado em plataformas de fita da Sun
  • Com sistemas gerais gerenciados e monitorados pelo xVM OpsCenter (a maior instalação do mundo).

Sua construção envolveu uma enorme quantidade de engenharia, assim como a tecnologia que está por trás dele, que agora a Sun pode replicar em todo o mundo em instalações menores (e maiores, claro) tanto públicas, como comerciais. Além de governos e instituições de pesquisa, diversos setores em todo o mundo estão optando pela computação de alto desempenho em busca de vantagem comercial, e não apenas para fins científicos. Este sistema consume uma fração da energia que era necessária há apenas alguns anos - o que o torna uma das instalações de supercomputação mais sustentáveis do mundo.

Para ter uma idéia da importância real do Ranger, dê uma olhada na tabela abaixo (clique para ir para a versão original):


A capacidade do Ranger supera a de todas as outras instalações de supercomputação do National Science Foundation juntas. No Texas, quando eles dizem "grande", eles querem dizer "realmente grande".

Como o diretor de infra-estrutura cibernética do NSF assinalou durante seu discurso de congratulações, a simulação computacional é atualmente considerada como um campo legítimo da exploração científica. Desde a descoberta de novas drogas à modelagem climática, da dinâmica de fluidos à simulação do universo, de epidemiologia à ciência de materiais - uma instalação deste porte vai revolucionar o mundo científico, tanto nos EUA como no mundo. Até o momento, já existem mais de 500 projetos de pesquisa utilizando o Ranger - ele já está mudando o mundo. E como ele faz parte do Teragrid da NSF, os resultados dos estudos serão compartilhados com o mundo todo. Aberto significa aberto. Jay Boisseau, diretor do TACC, afirmou que é bem provável que eles recebam mais solicitações de horas de uso do Ranger (eles têm cerca de 500 milhões de horas de cpu para alocar a cada ano, ou 125 mil/trimestre) do que há disponível. Para pessoas como Jay e o Dr. Norman, o aumento da capacidade aumenta o apetite - ao contrário do que acontece com a computação empresarial, onde o excesso geralmente é consolidado em outra coisa (o fundamento da teoria do "redshift" (desvio para o vermelho) de Greg).

Como surgiu o Ranger? Ele foi o resultado de um compromisso com a ciência básica do National Science Foundation, um grupo de pessoas entusiasmadas da Universidade do Texas, inspirado por Jay, um motivado líder técnico, e de compromissos da excepcional (realmente excepcional) equipe do TACC, funcionários da Sun e da AMD, com todos os três grupos numa correria louca para colocar tudo de pé em tempo recorde - como a maior instalação de supercomputação aberta do mundo. A maior do mundo, multiplicado por 4.

O Ranger transformará o mundo acadêmico, o setor e, por fim, a sociedade. Por que acredito nisso?

Como afirmei em meu discurso, houve um momento no qual a hidrelétrica das Cataratas do Niágara fornecia 30% da energia elétrica consumida nos EUA. Os esforços de engenharia e ciência básica ali utilizados são comparáveis ao necessário para construir o Ranger. Foi uma pesquisa verdadeiramente fundamental.

A eletricidade transformou a sociedade? Sem dúvida nenhuma. Saber o que houve nos primeiros 1,7 bilhão de anos do universo transformará nossas vidas? Ainda não sabemos. É isso que o Dr. Norman está tentando descobrir. Uma pergunta que a Sun, a AMD e o pesquisador da Universidade do Texas agora poderão ajudá-lo a responder. Com uma plataforma que a Sun passará a disponibilizar de modo geral ao mercado. (Eu ia escrever algo como "dissipando as nuvens da computação de nebulosas", mas até eu estremeci ao ler.)

__________________

(Para os interessados, aqui está um excelente resumo da visão do Dr. Norman sobre a astrofísica computacional - que, vale notar, assim como grande parte dos trabalhos que tenho visto em computação de alto desempenho em todo o mundo...

... é baseado em software gratuito e de fonte aberta.)

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