Quarta-feira Jan 23, 2008

Em um vórtice

Em um vórtice. É o único modo de descrever os últimos trinta dias, durante os quais fechamos nosso segundo trimestre e organizamos a transação de aquisição do MySQL. Como tudo começou?

"Isso nunca vai acontecer, tenho tentado por anos." Foi isso que eu disse a Rich Green (EVP, Software da Sun) seis meses atrás em resposta à sua afirmação: "Se há uma empresa que eu adoraria adquirir, é a MySQL. É uma empresa fantástica." Por que eu diria que é impossível?

Por quase cinco anos, eu tenho me encontrado em jantares com Marten Mickos, CEO da MySQL, discutindo as últimas novidades do setor, conversando sobre tendências e modelos de negócios e, pouco antes de servirem a sobremesa, eu dizia: "Puxa, temos tanto em comum, Marten, temos uma visão tão semelhante do mundo, o que você acha de se tornar parte da Sun?"

Nesse momento, Marten dizia que estava lisonjeado e honrado com a oferta, colocava um pouco de leite no seu café, mexendo-o lentamente, e começava a falar sobre a Finlândia.

"Eu ainda acho que vale a pena tentar", disse Rich. E assim fizemos - Marten, Rich e eu marcamos um outro jantar no início de dezembro. Tivemos a mesma conversa agradável, um atualizando o outro sobre o que vimos no mercado e no setor, falamos sobre o quanto temos em comum e, pouco antes de servirem a sobremesa, eu fiz a pergunta. E...

...sorriso, café, e acabamos falando sobre a Finlândia novamente.

Deixamos o restaurante, falamos sobre marcar um outro jantar dentro de seis meses, e então eu olhei para Rich com o olhar "Entendeu agora?".

Mas, diferentemente dos outros encontros, na manhã seguinte, Marten me ligou e disse: "Estivemos pensando um pouco. Você ainda está interessado em conversar sobre uma aquisição?" Ahh, sim. Sim. Do mesmo modo que nos últimos quatro anos.

E foi assim que tudo começou.

A tenacidade recompensa, e Rich entrou para a crescente lista de pessoas que pode me dizer "Eu te disse". (A título de informação, não me importo de estar errado, ajuda a me manter com os pés no chão.)

Além da inevitável pergunta "Como foi possível fazer esse acordo?", ouvi muitas outras nos últimos dias e gostaria de colocar aqui algumas respostas.

Vamos começar do começo.

Um bilhão de dólares por uma companhia que oferece seus produtos de graça?

O Facebook também oferece seus produtos de graça. Eles ganham dinheiro com anúncios, nós ganhamos dinheiro com serviços, suporte e infra-estrutura. A MySQL tem um grande negócio, que cresce rapidamente. Investir no futuro tem mais valor que comprar o passado - é por isso que o primeiro geralmente tem um bom desconto.

O que acontece com o seu compromisso com o PostgreSQL?

Cresce. No dia anterior ao anúncio da aquisição, e uma hora depois de assinar o contrato, eu liguei para o Josh Berkus, que lidera nosso trabalho com o Postgres na Sun. Eu quis ser o mais transparente possível: esta transação aumenta nosso investimento na fonte aberta, e em bancos de dados de fonte aberta. E aumenta nosso compromisso com o Postgres - e com o setor de banco de dados de modo geral. O mesmo vale para o nosso trabalho com o Apache Derby e o nosso JavaDB.

Josh diz exatamente isso no seu blog - a Sun quer ser o provedor líder de datacenters. Não apenas datacenters MySQL. Exatamente.

Que outras empresas pretende adquirir?

Esta é uma boa pergunta. Avisaremos quando isso acontecer :)

Falando sério, eu concordo com os que afirmam que a aquisição da MySQL pela Sun demonstra o valor dos modelos de negócios de fonte aberta - e espero que alimente ainda mais investimentos da comunidade empreendedora em inovação verdadeiramente de fonte aberta. Ainda há muito valor a ser explorado, basta perguntar aos investidores do MySQL.

O que acontece com o seu relacionamento com a Oracle?

A Oracle é um distribuidor independente de software Solaris de grande importância - e temos clientes em comum em todo o mundo que dependem do serviço e do suporte fornecido pela Sun e pela Oracle em ambientes vitais aos negócios para fazer funcionar bancos, varejistas, empresas de telecomunicação, instituições governamentais etc., em todo o mundo. Nosso compromisso não muda em absolutamente nada como resultado desse acordo - assim como nada muda com relação a nossa disposição e capacidade de oferecer suporte a DB2, ou ao SQL Server da Microsoft (que por acaso também roda muito bem em nossos sistemas). Os clientes querem opções de escolha, e nós mantemos nosso compromisso em proporcioná-las.

É importante lembrar que nossa divisão de serviços se concentra em nossos clientes, não em nossos produtos.

A integração será complexa, como com a StorageTek?

A StorageTek tinha 7.000 funcionários, com complicadas redes de fornecedores, processos de logística, bens imobiliários, fábricas, sistemas redundantes (como qualquer grande empresa), diferentes modelos e processos de engenharia construídos em 35 anos de história. A integração foi, para ser franco, complicada.

A MySQL tem 400 funcionários, sem escritórios (seus funcionários trabalham de casa), sem uma rede de fornecedores, fábricas ou bens imobiliários, e um modelo de engenharia e processo de negócios praticamente idêntico aos nossos.

Portanto, não, a integração não será complexa. Será muito simples.

Após finalizar a transação, Marten Mickos continuará a liderar a MySQL, estará subordinado à nossa divisão de software, e fará parte do meu Grupo de Gerenciamento Executivo (os cargos mais altos da Sun).

E, do ponto de vista estratégico, existem sinergias tecnológicas em todos os lugares - desde MySQL no ZFS e no Lustre, a uma melhor integração com o Glassfish, OpenSolaris, NetBeans e o nosso Grid Engine.

Você pretende alterar as prioridades da plataforma deles?

Absolutamente não.

Por que não?

Porque o L em LAMP significa Linux, não Lunático. Os clientes dão prioridade às opções de escolha da plataforma MySQL, não da Sun. Assim como com o Glassfish, a plataforma líder em download deles ainda é o Windows - e estamos muito comprometidos com esses desenvolvedores também.

Você alterará a opção de licença do MySQL (a GPL)?

Não. Como se pode notar com o Java e com o Glassfish (além do NetBeans e do OpenOffice), somos grandes defensores da GPL.

Existe sinergia de custo no acordo?

Não.

Existem sinergias de receita no acordo?

Em todos os lugares.

Onde estão as sinergias de receita?

A pergunta mais interessante é "Onde não estão as sinergias?" Onde quer que o MySQL seja implantado, esteja o usuário pagando por suporte de software ou não, um servidor será comprado, juntamente com um dispositivo de armazenamento, infra-estrutura de rede e, com o passar do tempo, serviços de suporte em plataformas abertas de alto padrão. Na última vez que verifiquei, nossos produtos abrangiam quase todas essas categorias.

Além disso, o maior obstáculo ao crescimento da MySQL não era o conjunto de recursos de sua tecnologia - que está perfeitamente alinhado à escala global do mundo online/web. O maior obstáculo era que algumas empresas tradicionais queriam um fornecedor Fortune 500 ("alguém que fizesse parte de um quadrante mágico da Gartner") que fornecesse suporte empresarial. Uma boa notícia é que podemos aumentar a excelente equipe de serviços da MySQL com um extraordinário conjunto de profissionais de serviço distribuídos por todo o mundo - e fornecer suporte vital aos negócios globais para as maiores empresas do planeta.

Qual o próximo passo com a MySQL?

Esta é uma pergunta que deve ser direcionada à MySQL - tanto antes da aquisição (pois ainda somos empresas separadas), como depois. Nós não a estamos adquirindo para dizer a eles o que fazer e sim para ouvir. Ouvir seus líderes, sua comunidade e seus clientes.

E após ter ouvido cerca de 10 clientes pessoalmente nos últimos dias, ouvi apenas um comentário, consistentemente - "Parabéns, esta é uma novidade fantástica para todos nós!"

Eu concordo totalmente.

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Veja aqui uma rápida entrevista com Rich, Marten, Greg e eu no domingo antes de assinar o contrato (filmado pessoalmente pelo famoso diretor Anil Gadre)... preste atenção no sinal de boa sorte que entra em cena por volta de 3:30...

(desculpem pela repostagem...)

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