Quinta-feira Abr 17, 2008

Liberdade de escolha

Hoje é o dia de abertura da Conferência do Usuário de MySQL - portanto, gostaria de descrever aqui um episódio recente de interação com um cliente relacionado à aquisição.

Há algumas semanas, fiz uma visita ao Diretor de Informática (CIO) de uma grande instituição comercial. Com ele estavam também o Diretor de Tecnologia (CTO), o Diretor de Segurança da Informação (CISO) (também conhecido como "see-so"), e vários outros representantes de diversos departamentos da sua (grande) organização de desenvolvimento.

A equipe da Sun passou o dia revisando nosso progresso juntos e fechou o dia com uma apresentação sobre o planejamento previsto para o produto. Pelo que percebi, o dia havia sido produtivo, portanto, quando cheguei, foi mais para agradecer pelo negócio realizado e me assegurar de que todos tinham meus dados de contato caso eu pudesse ser útil no futuro de alguma forma.

Havíamos acabado de fechar a aquisição da MySQL, por isso, antes de ir embora perguntei: "Vocês gostariam de uma rápida atualização sobre a nova adição de nossa família, o MySQL?"

O CIO respondeu categoricamente com um: "Nós não usamos o MySQL, usamos o [nome omitido para proteger o proprietário]". O CISO disse: "Não podemos simplesmente deixar que os desenvolvedores baixem software da Internet, sabe, precisamos levar em conta as regulamentações e a segurança". O CTO sorriu. Todos os outros pareciam estáticos. Eu estava para deixar por isso mesmo. Obrigado pelo negócio realizado.

Até que um representante de vendas assertivo da Sun fez (diplomaticamente) a seguinte afirmação: "Hmm... não, eu falei com um colega meu na MySQL e pedi que ele verificasse - vocês baixaram o MySQL mais de 1.300 vezes nos últimos doze meses."

Após um silêncio profundamente constrangedor, um dos membros da equipe de desenvolvimento interno deles disse: "Na verdade, todo mundo o usa. Por que devemos nos preocupar com contratos de licença se o MySQL oferece tudo? Estamos entusiasmados com essa aquisição feita pela Sun."

Silêncios constrangedores à parte, atualmente nós temos um relacionamento muito produtivo com o cliente, oferecendo suporte comercial de modo global para o que se tornou o banco de dados mais popular dentro de sua divisão de desenvolvimento. Eles estão encontrando cada vez mais aplicações para o MySQL, e cada vez mais modos significativos de economizar tempo e dinheiro enquanto avançam em direção ao futuro.

E essa situação - de um CIO não saber o quanto o software gratuito se tornou onipresente e valioso na sua organização - não é atípica. Na verdade, é muito comum, e uma fronteira que estamos tentando delicadamente atravessar.

A oportunidade está em todo lugar.

Assim como o software gratuito e de fonte aberta.

Eles podem até caminhar juntos.

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Segunda-feira Abr 07, 2008

Quem é o verdadeiro peixe de abril?

Se você quer saber a história por trás do vídeo do Dia da Mentira que está circulando pela Sun (abaixo)... é mais ou menos assim:

Meu normalmente confiável administrador me avisou sobre um almoço marcado com meu normalmente confiável amigo, Ted. Então fui a um normalmente confiável restaurante, onde a normalmente confiável garçonete me encaminhou até minha mesa - passando por diversas câmeras de vídeo que eu inocentemente não notei. Ted disse que conseguiu entrar em contato com Dan, um normalmente confiável colega que o colocou em contato com um especialista técnico que eu gostaria de conhecer.

Ted disse que o convidado está voando de Los Angeles para o encontro. E que ele esteve envolvido num acidente que pode prejudicar sua fala. Prestem atenção especial ao minuto cinco, que marca a primeira vez que vi alguém fazer uma galinha com um guardanapo.

Sou o primeiro a dizer que o vídeo exibido foi altamente editado. As boas (e, apesar da brincadeira, normalmente confiáveis) pessoas que editaram as legendas fizeram os cortes apropriados a uma audiência global que geralmente não está acostumada a uma baba tão abundante. O quanto eu estava desconfortável na mesa? Após assistir à versão não editada com uma colega da Sun antes do vídeo ser divulgado, ela comentou: "Veja como sua mãe lhe educou bem, você nem o olhava."

Mudando para um assunto mais civilizado, a matriz da Sun foi invadida ontem por golfinhos guinchantes, nadando de forma sincronizada de um lado para o outro... dizem que estavam indo a um encontro com um representante da sua comunidade que atualmente lidera nossa divisão de banco de dados.

Ah, e Bill Macgowan ainda está na Sun.

Eu o responsabilizarei pessoalmente pela minha nomeação como o verdadeiro peixe de abril (afinal os golfinhos não são peixes, são mamíferos), e terei sempre uma certa desconfiança em relação a ele... mas ele ainda está aqui.

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Quinta-feira Abr 03, 2008

Devolvam.

Como vocês sabem, a estratégia de software de fonte aberta e microprocessadores da Sun já foi motivo de controvérsia algumas vezes. Preenchemos páginas e mais páginas de revistas e salas de bate-papo com todos os tipos de diálogo e, periodicamente, com a lunática teoria da conspiração.

Como muitos previram desde o início, a controvérsia era, na verdade, não um subproduto da estratégia, mas a própria estratégia: ao falar sobre a Sun, você ao menos não está falando sobre os concorrentes. E então você comprará um datacenter.

Mas agora que temos uma boa reputação como líderes em fonte aberta, tenho a preocupação de que não haja mais espaço para controvérsias. Há confiança demais no sistema e transparência demais sobre o nosso propósito estratégico. Portanto, está ficando cada vez mais difícil criar uma tempestade - não podemos gastar um bilhão de dólares ou mudar nosso símbolo na bolsa de valores sempre que quisermos destaque na manchete dos jornais. Podemos?

É por isso que hoje eu gostaria de anunciar o segundo capítulo de nossa estratégia.

Queremos que vocês devolvam tudo. Vocês não acreditaram realmente que deixaríamos que vocês ficassem com tudo, acreditaram?

Solicitamos especificamente que todo software gratuito distribuído originalmente pela Sun Microsystems, relacionado a software ou a microprocessadores, incluindo, mas sem limitações, arquivos de origem, binários, derivativos, extensões, aplicativos, patentes, solicitações de patente, direitos autorais, idéias, pensamentos e pensamentos derivativos, juntamente com todos os seus espelhos, sejam devolvidos imediatamente.

Além disso, (sabemos que esta é a parte arriscada, mas precisamos envolver também os defensores da privacidade), solicitamos que todos os dados processados, armazenados ou criados com tal propriedade intelectual, até e incluindo todos os dados armazenados dentro de sistemas de arquivo, bancos de dados ou aplicativos de produtividade de fonte aberta, também sejam devolvidos. Até mesmo o resumo de livro escolar que seu filho acabou de criar usando o OpenOffice.

Solicitamos que tudo seja devolvido em até trinta dias.

Grato pela compreensão.

______________________________

E, embora seja contra a minha vontade, vivemos numa sociedade litigiosa, portanto: SIM, esta é uma brincadeira de 1º de abril, conforme definido nas seções relevantes da Lei de valores de 1933 dos Estados Unidos (Securities Act of 1933).

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Terça-feira Abr 01, 2008

Ainda tenho um emprego?

Este é Bill Macgowan.

Bill é o Diretor de Recursos Humanos da Sun.

O que significa que ele trabalha comigo para criar e cultivar talentos na Sun.

Ele é inteligente, eloqüente e geralmente tem bom senso.

Geralmente.

Mas hoje ele me pregou uma peça. Sim, em mim. Uma peça do Dia da Mentira.

A brincadeira foi feita com bastante antecedência para ser transformada num vídeo que será exibido para a diversão dos funcionários da Sun nesta terça-feira (1º de abril, dia da mentira). E se eu tiver a coragem de exibir publicamente minha ingenuidade, será aqui, neste blog, perante uma audiência mundial.

A peça que me pregaram, como qualquer boa brincadeira no vale do silício, envolveu um investidor, um visitante babão, um babador e costeletas de carneiro.

Graças à delicadeza com a qual meus pais me educaram, a brincadeira me fez sofrer. Sem olhar. Concentrando minha atenção no negócio que deveria fechar.

Sem nenhuma idéia de que era uma brincadeira.

Até que todas as câmeras apareceram. Foi só então que percebi que havia algo errado. Eu caí na pegadinha.

Quando eu voltei do almoço cabisbaixo, Bill me encontrou no corredor e me perguntou, com seu vídeo ilegal na mão: "E então, eu ainda tenho um emprego?"

E eu tenho até terça-feira para pensar numa resposta criativa.

Lembrem-se, meu colega de escritório é o CFO, e o Diretor Jurídico também tem um blog. Certamente há uma possibilidade de revanche inteligente.

Certamente :)

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