JavaFX como plataforma de aplicativos RIA
O JavaOne terminou na sexta-feira. Lidamos com indivíduos do mundo todo e de todos os setores: equipamentos eletrônicos domésticos, jogos, TI empresarial, exploração espacial, automação de manufatura, indústria automotiva, setor acadêmico. Assim como a própria rede, Java tem algo a oferecer para quase todos, em qualquer lugar.
O enfoque dos maiores anúncios este ano foi o papel do Java no futuro dos RIAs (Rich Internet Applications). O que é um RIA? Depende da sua perspectiva: a meu ver, é qualquer aplicativo conectado à rede que persista face ao usuário, geralmente fora do navegador, e que funcione quando desconectado da rede.
Por outro lado, eu diria que o Java sempre foi uma plataforma RIA, mesmo antes que tal coisa fosse necessária. Os primeiros applets Java proporcionavam interatividade, porém em troca de complexidade de desenvolvimento e, no início, de desempenho isso quando um navegador, e mais recentemente o Javascript, já seria suficiente.
Contudo, aplicativos baseados em navegador estão alcançando os limites de complexidade e desempenho, e os proprietários de conteúdo têm como meta obter um nível melhor de interação (por meio de vídeo de alta definição ou interatividade avançada). Desenvolvedores têm buscado algo novo o navegador é um modelo de programação altamente acessível, porém é um modelo de implementação fraco no caso de aplicativos RIA/desconectados.
Outro fomentador do RIA é a evolução do modelo de negócios muitas empresas por trás de aplicativos RIA buscam independência de navegadores e mecanismos de pesquisa, cujas configurações padrão e empresas proprietárias representam uma ameaça competitiva. Há um interesse crescente por aplicativos instalados localmente que resultem em uma interação rica, direta e permanente com os consumidores. Ninguém quer pagar pedágio para ir ao encontro de seus próprios clientes.
Tendo isso em mente, ao trabalhar para reinventar a plataforma Java, encontramos um conjunto consistente de requisitos. Vindos não somente de autores de código, mas também de franquias de esporte que buscam uma interação direta com os fãs, empresas de mídia que desejam se libertar das configurações do navegador, artistas, empresas e fabricantes de dispositivos todos buscam interagir com seus clientes de modo exclusivo via a rede. Esse público tem requisitos similares quanto à plataforma RIA eles querem uma tecnologia que:
- Chegue até cada cliente na Internet, em PCs, celulares e novos dispositivos.
- Forneça alto desempenho e possa atrair profissionais criativos em seu processo de design.
- Tire proveito de habilidades e infra-estruturas empresariais existentes
- Seja completamente gratuito e de fonte aberta.
- Permita aos proprietários de conteúdo controlar e manter a propriedade de seus dados.
Semana passada, durante o JavaOne, abordamos cada uma dessas questões, do seguinte modo:
Em primeiro lugar, desenvolvedores de RIA desejam alcançar todos os consumidores do mundo, via qualquer tipo de dispositivo.
Por quê? Porque o mercado está na frente dos consumidores, qualquer que seja a tela que utilizem para visualizá-lo. Computadores, celulares, PDAs, livros digitais, qualquer coisa. O mercado está em todas as telas do seu dia a dia, não só na do PC.
Para ilustrar isso, só no caso de PCs, a popularidade de Java cresceu muito nos últimos anos, conforme foi medido pelo número de downloads do ambiente de tempo de execução geralmente, registramos o download de 40 a 50 milhões de novos ambientes de tempo de execução do Java a cada mês, e realizamos a atualização de mais de um bilhão deles por ano.
A adoção da plataforma Java excede a adoção do próprio Microsoft Windows o ambiente de tempo de execução do Java (JRE) é pré-carregado em quase todos os computadores com Windows (da HP, Dell, Lenovo etc.), porém é executado também em computadores Macintosh da Apple e com Ubuntu, Fedora, SuSe, Solaris e OpenSolaris. Além disso, o JRE está presente em bilhões (sim, bilhões) de dispositivos sem fio e móveis, desde painéis de automóveis e dispositivos de navegação até o Kindle da Amazon (você sabia que o Kindle da Amazon é uma plataforma Java)?
Isso significa que a plataforma Java tem mais usuários do que qualquer outra tecnologia de software já criada no mundo.
Em segundo lugar, desenvolvedores de RIA desejam desempenho, funcionalidade E simplicidade.
Por quê? Porque proprietários de conteúdo e desenvolvedores de aplicativo querem captar o interesse dos consumidores e poder contar com artistas e profissionais criativos no fluxo de trabalho.
O histórico do Java em termos de simplicidade não é perfeito por essa razão, nossas equipes reescreveram o modelo de applet e concentraram-se em assegurar que o novo ambiente de tempo de execução de Java para o consumidor possa ser carregado com excepcional rapidez em uma página da Web, apresente um desempenho notável durante interações complexas e seja facilmente acessível aos consumidores (clique aqui para baixar uma versão beta). Além disso, simplificamos o Java por meio de uma linguagem de script, a JavaFX script, que permite que profissionais criativos interajam com autores de código para criar experiências interativas completas, ao mesmo tempo que adotam a cadeia de ferramentas criativas (desde o design da interação até a manipulação de pixels) usada por designers e artistas digitais no mundo todo.
E tenho o prazer de termos solucionado o problema de instalação em desktop ao separar os applets JavaFX da página da Web com a simples ação de arrastar e soltar (clique na imagem acima para ver uma demonstração). Agora, os desenvolvedores podem ignorar o navegador e instalar com facilidade aplicativos nos desktops: uma vez que o applet é solto na área de trabalho, os proprietários do conteúdo garantem um relacionamento direto com seus consumidores.
Você talvez já tenha visto que estamos adicionando ao Java codecs de vídeo e áudio de alta qualidade completos para todas as plataformas em que é executado solucionando outro problema dos desenvolvedores de RIA: suporte para mídia baseada em tempo (clique aqui para ver uma demonstração de vídeo de alto desempenho).
Em terceiro lugar, as empresas querem reutilizar suas habilidades e ativos de Java existentes ao migrar para RIA.
Quase todas as empresas empregam programadores com habilidades em Java ainda é a principal linguagem de Internet ensinada no mundo todo, e encontra-se presente em quase toda a infra-estrutura comercial global. Conforme as empresas se esforçam para atrair o interesse de seus clientes via plataformas RIA, reutilizar habilidades existentes e conectar aplicativos RIA a sistemas existentes proporciona à comunidade Java uma habilidade exclusiva de criar a partir da base existente em vez de tentar substituí-la.
Essa familiaridade também permite que empresas e equipes de desenvolvimento concentrem-se na interação com os consumidores em vez de irritar a equipe de TI com novos requisitos de infra-estrutura (desenvolvedores de JavaFX simplesmente conectam-se a infra-estruturas empresariais existentes em vez de exigir novos sistemas para os aplicativos RIA).
Em quarto lugar, desenvolvedores de RIA querem plataformas gratuitas e abertas.
Por que gratuitas? Porque desenvolvedores não querem complicar seus aplicativos com dependências que envolvam royalty, nem usar tecnologias que predefinam onde os consumidores podem aparecer. Você não cria comunidades de desenvolvedores em torno de fonte fechada, e sim cria comunidades de usuários
e essa é uma situação em que a seleção e adoção dos desenvolvedores definirá o mercado de RIA. O JavaFX, como todas as plataformas de software da Sun, será disponibilizado gratuitamente como fonte aberta, e será lançado por meio da licença GPL (v2).
E não pense que software gratuito e de fonte aberta é atraente somente para os alternativos tatuados... estamos vendo um aumento notável de países em desenvolvimento buscando software de fonte aberta através de departamentos de compra governamentais e acadêmicos. Por quê? Para proteger o direito de escolha e criar oportunidades inerentes não há motivos para criar a dependência de software proprietário quando isso pode ser evitado.
Por fim, admitamos, o valor real de Web 2.0 está nos dados - e não no aplicativo. E esses dados são SEUS.
Se você analisar o espaço de mídia social cuidadosamente como nós temos feito, entenderá o valor da instrumentação e intenção ao criar um negócio na Web. Saber o que os usuários estão fazendo com seu produto, seja ele uma liga de críquete fictícia ou um aplicativo de transação bancária, permite o surgimento de mais modelos comerciais inovadores, o fornecimento de serviços de maior valor, o posicionamento de anúncios mais eficaz dados permitem a tomada de decisões informadas e o aumento do valor de um produto (além, claro, de um CPA mais alto).
Contudo, a maioria dos aplicativos RIA é criada e então implementada cegamente. Os desenvolvedores que ultrapassam os limites do navegador perdem o acesso a informações sobre o que os usuários fazem com o produto ou têm de depender de um provedor de tecnologia que acaba se infiltrando em seu fluxo de dados. E alguns desses provedores de tecnologia são concorrentes dos desenvolvedores de conteúdo.
Através de um projeto com o codinome Project Insight, vamos aprimorar a plataforma Java para permitir que desenvolvedores coletem o fluxo de dados gerado por seu conteúdo RIA. Os desenvolvedores de JavaFX poderão se concentrar em seus modelos de negócios em vez de ter de aprimorar os dos outros.
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Com isso tudo em mente, o que representa o sucesso do JavaFX para a Sun?
Por definição, ele vale mais para a Sun do que a adoção da plataforma de terceiros (conhecido como "valor de opção positiva") - e a infra-estrutura proprietária usada para servi-la (não se esqueça de que os RIAs contam com backends de Internet avançados). E no mundo de RIA, todas as opções serão gratuitas, sempre essa não é uma corrida a ser ganha no preço.
Na minha opinião, a plataforma com maior chance de vencer é aquela que liberta os desenvolvedores para que alcancem mercados, oportunidades e experiências de usuário a seu critério, e não a critério dos fornecedores. E libertar desenvolvedores é o que fazemos melhor. É parte do DNA de tudo que criamos.
Desenvolvedores, saibam mais em JavaFX.com. E não deixem de conferir o NetBeans - assim como o próprio Java, ele começa a revolucionar o mundo livre...
Posted on 05:02PM Mai 13, 2008 |






















