Nosso terceiro trimestre
Anunciamos os resultados de nosso terceiro trimestre fiscal (Q3) na quinta-feira da semana passada, e os resultados não foram o que eu, ou qualquer um de nós, esperava.
Como você pode ler no press release, geramos US$3,267 bilhões de receita no Q3, quase que o mesmo que no ano anterior. Essa receita inclui uma perda (de acordo com GAAP) de 4 centavos (equivalente ao valor associado à aquisição da MySQL, fechada naquele trimestre) - a receita também registra um caixa de US$320 milhões.
O pior desempenho do trimestre foi a receita gerada nos Estados Unidos, que tem registrado uma baixa ano após ano de cerca de 10%, um declínio imenso em uma região geográfica que geralmente contribui com 40% de nossa receita total. Os destaques do trimestre foram o nosso desempenho na Índia, com um crescimento de 30% a cada ano, e nossos sistemas Niagara com chip multi-threading, cujo faturamento cresceu em 110%.
Registramos um crescimento em 12 das 16 regiões geográficas em que vendemos, porém é difícil compensar em outras regiões uma queda na maior economia mundial (e a maior em termo de portfólio da Sun). Portanto, não registramos um crescimento no nível corporativo.
Apesar da queda da economia nos Estados Unidos, encontramos crescimento e oportunidades no resto do mundo. Obviamente, faremos algumas mudanças como resultado do trimestre, porém não nos fundamentos de nossa visão ou direção estratégica - a infra-estrutura de rede está sendo desenvolvida no mundo todo, desenvolvedores continuarão a definir sua arquitetura e gerar demanda, e nós continuaremos a nos posicionarmos para liderar e conquistar esse mercado.
Tendo isso em mente, vou responder aqui algumas perguntas:
O que aconteceu nos EUA?
No fim do trimestre, percebemos uma queda dramática no mercado - em relação aos clientes menores e aos grandes sistemas (como servidores empresariais e grandes bibliotecas de fitas). Como vimos, fechamos o segundo trimestre com uma grande quantidade de pedidos pendentes, muita energia e comentários positivos dos clientes de que estávamos no caminho certo, portanto foi com surpresa que registramos uma queda nos negócios no começo de março.
Por que os negócios envolvendo grandes sistemas parou de crescer?
Não parece fazer sentido, porém é mais fácil notar um declínio nos pedidos de grande volume e de sistemas maiores do que nos pedidos de compra menores. Ao vender os sistemas e o armazenamento fundamentais a uma grande implementação, esse ciclo de vendas é geralmente longo e envolve um processo de implantação também longo (os sistemas não são ativados no mesmo dia em que são recebidos). Portanto, suspender essa negociação por algumas semanas, seja por medo da crise hipotecária nos Estados Unidos ou porque o CFO decidiu cortar gastos, parece ser uma decisão sensata.
E lembre-se, nossos negócios é um portfólio, que engloba desde blades "low-end" e serviços de treinamento de alto crescimento, a sistemas empresariais "high-end" e software de infra-estrutura de crescimento mais lento. Não há um só sistema ou produto que atenda a todas as circunstâncias: é um portfólio.
E como vocês vão se ajustar a isso no futuro?
Continuaremos a diversificar nossos negócios, geograficamente, e com a introdução de nossas iniciativas de Armazenamento aberto na semana passada, além de aquisições como a da MySQL e Vaau, continuaremos a nos posicionar em mercados adjacentes.
Anunciamos também um plano de reestruturação, através do qual faremos reduções específicas em despesas operacionais. O resultado será a eliminação de até 2.500 empregos.
Para deixar claro, estamos adotando medidas firmes e prudentes para enfocar oportunidades de crescimento e para alinhar nossa estrutura de custos com nosso modelo de negócios. Como fizemos algumas vezes no passado, estamos adotando ambas essas medidas: decidindo onde investir e onde não investir.
Empresas em evolução nunca param de tomar decisões.
Que área registrou crescimento no trimestre?
Em 12 das 16 regiões geográficas que atendemos: Índia (crescimento de 30%), Brasil (crescimento de 20%), além de China, Rússia, Oriente Médio, Canadá, são algumas das áreas com crescimento. Em geral, o mundo continua a buscar a tecnologia como fonte de crescimento, automação e eficiência. Até mesmo nossas ações em Wall Street registraram um crescimento no trimestre passado.
Em relação aos produtos, nosso enfoque em economia de energia continua a valer a pena, com um crescimento em faturamento de 110% dos sistemas Niagara a cada ano, e nosso mais novo sistema de blade (AMD, Intel e SPARC) crescendo a uma velocidade ainda maior. A equipe da MySQL demonstrou um ótimo crescimento no trimestre, e a receita de Serviços aumentou em 3% (obviamente, a maior parte disso está relacionada a software). O faturamento de armazenamento em disco subiu em 6%.
Receitas diferidas de produtos aumentaram novamente em mais de 25% - essas receitas diferidas tendem a estar associadas a sistemas "high-end" e configurações mais complexas, com margens brutas acima da média da empresa. Receitas diferidas de serviços registraram uma queda, atribuída à transição de ERP que mencionei anteriormente (esperamos recuperar isso no quarto trimestre).
Que área registrou o pior desempenho?
Os sistemas empresariais, que mostraram um ótimo crescimento no primeiro e segundo trimestre (20% e 8% de crescimento, respectivamente), registraram uma queda no trimestre, que não pode ser atribuída à concorrência. Vimos um desempenho excepcional de nossos sistemas APL criados com a Fujitsu, além do fortalecimento da parceria. Bibliotecas de fita também registraram queda, embora as vendas de mídia tenham sido robustas.
Dado o tamanho de ambas essas linhas de produto, nossos negócios "low-end" de maior volume ainda não alcançaram uma escala suficiente para compensar a queda nos negócios "high-end" de menor volume.
Por que não param de fornecer software gratuitamente?
Porque priorizamos a adoção por parte dos desenvolvedores. Darei aqui um exemplo.
Semana passada, vimos uma importante empresa de mídia arrecadar uma soma considerável de dinheiro para obras beneficentes. Até então não a tínhamos como cliente potencial. Enviei uma mensagem ao diretor da equipe de vendas global da Sun, uma vez que o evento envolveu uma considerável infra-estrutura em crescimento, e perguntei se já havíamos contatado aquela empresa.
Ele respondeu que não, porém fizemos contato imediatamente, e descobrimos que sua estrutura havia sido criada inteiramente com base no MySQL.
Portanto, antes que fizéssemos qualquer contato ou negociação e antes daquela empresa começar a criar essa imensa infra-estrutura, a equipe da MySQL já havia conquistado esse negócio, batendo a concorrência de produtos proprietários. O que deveríamos ter cobrado deles inicialmente? Qualquer que fosse nosso preço, eles não teriam adotado o produto - empresas "startup" e desenvolvedores não pagam por software. Contudo, aqui está uma pergunta diferente: o que deveríamos ter pago a eles para que optassem pelo MySQL e não por produtos proprietários antes de embarcarem numa expansão imensa?
Essa é a pergunta correta. Não pagamos a eles, a equipe da MySQL mereceu ter seu produto adotado.
Eles vão agora pagar por uma licença? Talvez não, porém estaremos bem posicionados se, e quando, eles (assim como o Facebook, Nokia ou The New York Times) o fizerem. Nesse meio tempo, não pagamos para tê-los como cliente de referência. Esta manhã estive com algumas empresas startup em nosso StartupCamp, e perguntei quantas pessoas do público *não* usavam software gratuito... ninguém levantou a mão. Por que enfocamos as empresas startup? Porque enfocamos todos os desenvolvedores, seja em empresas grandes ou pequenas.
E o que o preocupa quanto à concorrência?
Nada. Analisamos a queda dos negócios nos Estados Unidos, e a principal causa não era a concorrência - o fato não é que os negócios estavam indo para o concorrente, mas sim que os clientes pararam de emitir pedidos de compra no trimestre. Temos uma forte presença nos mercados norte-americanos, e potencialmente, estamos melhor posicionados para receber pedidos de compra que envolvem processos de decisão (embora eu não acredite que servidores envolvam um processo mais complexo do que produtos de armazenamento - acredito que estejam em convergência). A Avnet, um de nossos maiores distribuidores, teve a mesma experiência nos Estados Unidos.
Por que vocês não fizeram um anúncio prévio sobre o trimestre?
Porque queríamos ter certeza, ao fazer o anúncio, de que finalizamos nossos cálculos e nosso plano para ajustar a estrutura de custo no futuro. Como estamos no meio da transição para ERP, ainda estávamos finalizando o trabalho no fim de abril. Além disso, precisávamos rever nosso plano de reestruturação do ano fiscal de 2009 com o conselho diretivo antes de divulgá-lo. Anunciamos os resultados assim que terminamos esse processo de criação, revisão e aprovação do plano.
Qual foi a perda em relação ao lucro do ano anterior?
Bem, sem entrar em detalhes da contabilidade GAAP, geramos um caixa alto no trimestre (mais de US$320 milhões), e converter esse valor em receita com base nos princípios do GAAP envolve vários itens de linha associados com contabilidade de aquisição, amortização de goodwill, provisões para imposto, despesas com opções de compra de ações - tudo isso, em termos não monetários, totalizou até 22 centavos de encargos.
Vocês estão fazendo a recompra de suas ações?
Não fazemos declarações sobre planos de recompra, porém informaremos sobre possíveis compras no fim do trimestre.
Quando a economia dos EUA se recuperará? A crise se espalhará internacionalmente?
O negócio da Sun é criar inovações em redes, portanto não fazemos previsões quanto à economia global.
Portanto, concluo aqui na esperança de ter deixado claro a você a nossa percepção atual. E termino essa postagem com uma pergunta difícil,
"Por que o CEO da Sun perde tempo escrevendo aquele blog?"
Porque acredito que seja importante esclarecer os aspectos de nossa estratégia e operações - não apenas uma vez por ano no Relatório Anual. Acredito que a transparência quanto a direção que tomamos seja útil para nossos acionistas, clientes, parceiros e funcionários.
Tanto no tempo de vacas gordas, quanto no de vacas magras.
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Declaração de "Porto Seguro"
O blog de Jonathan contém declarações progressivas sobre os resultados e desempenho futuros da Sun, incluindo declarações sobre a orientação da Sun com relação aos efeitos de nosso plano de reestruturação e expectativas quanto à receita diferida. Essas declarações progressivas envolvem riscos e incertezas, e os resultados reais podem diferir substancialmente das previsões de tais declarações. Os fatores que podem fazer com que os resultados reais sejam substancialmente diferentes das previsões contidas nas declarações progressivas incluem: riscos associados com o desenvolvimento, design, fabricação e distribuição de novos produtos; insucesso em avanços tecnológicos, exigências de preço; falta de aceitação de novos produtos por parte do cliente; possibilidade de erros ou defeitos em novos produtos; concorrência; condições comerciais adversas; falha em reter funcionários importantes; cancelamento ou atraso de projetos; nossa dependência em fornecedores de fonte única; riscos associados com nossa capacidade de adquirir uma quantidade suficiente de componentes para atender à demanda; riscos de inventário; e atrasos no desenvolvimento do produto ou aceitação por parte do cliente e implementação de novos produtos e tecnologias. Consulte também os relatórios periódicos da Sun que são entregues de tempos em tempos à Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos EUA, incluindo o Relatório Anual no formulário 10-K para o ano fiscal encerrado em 30 de junho de 2007 e os Relatórios Trimestrais em formulários 10-Q para o trimestre fiscal encerrado em 30 de setembro de 2007 e 30 de dezembro de 2007. A Sun não assume qualquer obrigação e não pretende no momento atualizar essas declarações progressivas.
Posted on 04:04PM Mai 09, 2008 |
























